Em uma conversa rápida com populares pelas ruas do centro, a constatação é evidente: a população acredita que Londrina é uma cidade suja. A opinião, no entanto, é emitida com certa dose de autocrítica, pois essa mesma comunidade reconhece a própria falta de educação ambiental. A estrutura deficiente, porém, agrava o problema.
Hoje, a cidade conta apenas com cerca de 200 lixeiras, instaladas na Área Central, e estima-se que, pelo menos, 60% delas estejam sem condições de uso, restando apenas 80 que ainda podem receber lixo. O número representaria uma concentração superior a 5,5 mil habitantes por lixeira. Se cada uma delas tem capacidade para 20 litros, cada habitante poderia produzir no máximo 3,6 ml de lixo nas ruas por dia, o que equivale aproximadamente a uma embalagem de bala ou chiclete.
Parte do problema deve ter, em teoria, uma solução em breve. A Companhia Municipal de Trânsito e Urbanização (CMTU) acaba de fechar licitação com a empresa londrinense Valdomiro Ricci para a instalação de mil lixeiras no Anel Central. O processo licitatório está em fase de homologação e a instalação deve ser iniciada logo após o término desta fase. Segundo o diretor de Trânsito da CMTU, Álvaro Grotti, os investimentos da empresa na instalação das lixeiras beiram os R$ 56 mil. A colocação das mil lixeiras vai aumentar a capacidade de receptação de lixo em 27 vezes, permitindo que cada cidadão londrinense despeje nas ruas 44 ml de lixo por dia.
''A cidade é suja. Eu sou usuária do Bosque Central há tempos e acho que não tem nenhuma lixeira com fundo por aqui'', contou a aposentada Edna Loureiro Soares. ''Ontem (anteontem), por exemplo, fui jogar um papel no lixo e ele caiu no chão'', descreveu. ''Mas temos que admitir que não basta instalar lixeiras. Falta educação para o povo'', ressaltou a também aposentada Carmem de Oliveira.
Nos serviços de varrição das ruas da cidade, a empresa responsável pelo serviço chega a retirar até 100 mil litros de sujeira por dia. E apesar de acreditar que o volume retirado das lixeiras é mínimo perto do total, o gerente da empresa, Reginaldo Celestino Queiróz, afirma que a instalação dos equipamentos deve ajudar bastante os trabalhos dos garis. ''Vamos poupar o tempo que os garis perderiam juntando a sujeira para só depois ensacá-la'', explica.
Segundo Grotti, as novas lixeiras deverão ser feitas de aço galvanizado e contarão com paredes e fundos vazados, para evitar o apodrecimento, principal causa para a inutilização dos equipamentos instalados na cidade. ''Não adianta fazer fundo liso achando que a lixeira vai durar mais. Esse tipo de fundo retém líquidos que apodrecem o lixo e é claro que assim vai quebrar logo'', lembrou o gari Odilon Aparecido Moreira, que trabalha na limpeza da cidade há um ano e meio. ''Mas ainda assim não acredito que as lixeiras, por elas mesmo, vão ajudar a manter a cidade limpa. Vai facilitar nosso trabalho, mas a consciência das pessoas ajudaria muito mais''.

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