Sujeira 'esconde' as bocas-de-lobo
Silvana Leão
De Londrina
O fim da estiagem prolongada traz à tona mais uma vez o risco de alagamentos em determinadas regiões de Londrina (principalmente na área central), onde as galerias centrais, subdimensionadas, não comportam um grande volume de água. Muitas, a exemplo das bocas-de-lobo, também estão obstruídas. Embora a cidade conte com uma topografia favorável ao escoamento da chuva, possui pontos críticos (como a bacia formada na Rua Goiás, entre Pernambuco e Professor João Cândido) que costumam causar grandes transtornos aos moradores e comerciantes locais.
Londrina é privilegiada por estar localizada no alto e contar com vários vales com boa capacidade de escoamento. Não temos um grande e único rio cortando a cidade, que poderia oferecer risco de transbordamento, a exemplo dos rios Tietê e Pinheiros, em São Paulo, lembra o engenheiro civil Valdir Navarro Carrion, especialista em projetos hidráulicos e de saneamento. Por estes motivos, segundo ele, jamais teremos problemas de enchente, como acontecem em cidades planas ou baixas.
O que acontece frequentemente na cidade, explica, são problemas gerados por falhas no sistema de captação de água e nos projetos de arruamento. Depois de um longo período sem chuvas, são comuns os fortes temporais, que derrubam grande volume de folhas secas e entopem as bocas-de-lobo, fazendo com que a água passe direto por elas, formando enxurradas e invadindo subsolos. Mas não se trata de um problema generalizado, explica Carrion, observando que a água escoa-se poucos minutos após o término da chuva.
O engenheiro detalha que quando as galerias do centro da cidade foram projetadas, previa-se um coeficiente de área impermeabilizada (por construções ou calçamento) em torno de 60%. Em vários locais, porém, este índice chega a 100%, impedindo a absorção de água pelo solo. Para evitar que esta situação continue a acontecer, o Código Municipal de Obras foi modificado recentemente, passando a exigir que as novas construções deixem pelo menos 20% da área do terreno disponível.
O secretário de Obras do Município, José Righi de Oliveira, admite que parte das bocas-de-lobo e galerias estão obstruídas, além de não serem suficientes. A prefeitura já iniciou, porém, um trabalho de limpeza nestes locais, há cerca de três semanas, através da contratação dos serviços de uma empresa particular, a Rotercano Desentupidora.
Das cerca de 46 mil bocas-de-lobo do município, aproximadamente 700 encontram-se em estado crítico, com a galeria principal também obstruída. Estamos limpando em torno de 450 metros de galeria e de 25 a 30 bocas-de-lobo por semana, informa Righi. O contrato para os trabalhos de desobstrução foi feito por seis meses e vai custar ao poder público R$ 11 mil por mês.
Segundo o secretário, além do trabalho feito pela empresa contratada, a prefeitura mantém uma equipe de limpeza manual, que faz a retirada de entulhos de seis a oito bocas-de-lobo por dia. Ele garante que, em caso de uma forte chuva, há equipamentos para atender situações emergenciais.Cerca de 700 bueiros de Londrina estão obstruídos, segundo a Secretaria de Obras; empresa contratada faz a limpeza
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