Sujeira e abandono nos arredores do Arthur Thomas
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quinta-feira, 15 de abril de 2004
Fernando Rocha Faro<br> Reportagem Local 
Pernilongo, carrapato, aranha, rato, cobra coral. Para os moradores do entorno do Parque Arthur Thomas (Zona Sul de Londrina), a presença de insetos e animais peçonhentos nas ruas e até dentro das casas transformou-se em uma triste rotina. A origem do problema é, de acordo com os vizinhos, a falta de conservação da calçada e dos próprios bairros que cercam o parque.
A dona de casa Marisa Pereira, 22 anos, moradora do Jardim Monte Carlo (Zona Leste), disse que é comum achar animais nos quintais e até dentro das residências. ''Já teve gente que matou cobra dentro da cozinha. É perigoso. O problema é que a região está abandonada'', avaliou. O mato não é a única consequência do abandono da área ao redor do Arthur Thomas. A calçada da avenida Charles Lindemberg está praticamente intransitável devido ao acúmulo de lixo, entulho e objetos despejados na área. Até um sofá está no caminho que deveria ser usado pelos pedestres.
''O pior é o mato. E a prefeitura só vem aqui de vez em quando para fazer a limpeza'', destacou o pedreiro Cândido Ferreira dos Santos, 58 anos, que mora próximo ao parque há dez anos. De acordo com o responsável pelos parques municipais da cidade, Sidney Antonio Bertho, a secretaria municipal do Meio Ambiente (Sema) não tem funcionários suficientes para fazer a manutenção das áreas interna e externa do Parque Arthur Thomas.
''Com o fim das Frentes de Trabalho, perdemos quase 80% da força de trabalho responsável pela manutenção do parque'', revelou Bertho. A equipe, que chegou a contar com até 40 funcionários, atualmente se resume a 15. O administrador afirmou ter solicitado auxílio da Companhia Municipal de Trânsito e Urbanização (CMTU) para controle do mato no entorno do Arthur Thomas. O coordenador de capina e roçagem da CMTU, Délcio Garcia Martins, garantiu que uma equipe deverá fazer a limpeza da área a partir da próxima quinta-feira, dia 22.
Para alguns moradores, como a dona de casa Isoleide Correia Duarte, 30, a falta de cuidado com o bairro traz outros prejuízos. ''O mato prejudica porque o imóvel fica desvalorizado'', reclamou. Segundo ela, a limpeza da área, quando é feita, deixa a desejar. ''Os montes de sujeira são abandonados por até dois, três meses. Quando vêm recolher, já estão podres'', afirmou.
A cerca entre o parque e os bairros vizinhos também está bastante danificada. Em vários trechos, são encontrados buracos, feitos, segundo a Sema, por vândalos que passam pelo local. ''Temos enfrentado o problema do vandalismo há muitos anos. Há casos em que o conserto foi feito de manhã e à tarde a cerca já estava estragada de novo'', queixou-se Bertho.
Uma das aberturas, no entanto, foi feita pela própria administração do parque. O objetivo é abrir um portão secundário, para acesso pela Rua do Parque. ''Também devemos colocar pedrisco para quem entrar por ali'', disse.
A calçada também é utilizada como depósito. Telhas, tábuas e tijolos de construções da região, e até entulho, são depositados na via dos pedestres. Apesar dos problemas, moradores como Cândido dos Santos consideram o local bom para viver. ''Aqui é tranquilo. Eu gosto porque não tem movimento. Só quando fazem festas em chácaras perto daqui é que tem um pouco de barulho'', declarou.


