Suíços fazem trabalho voluntário nas férias
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quinta-feira, 29 de julho de 2004
Jacira Werle<br> Reportagem Local 
Fazer escambo. Deixar um pouco de lado o materialismo em troca de alegria. Foi isso que vieram fazer 27 missionários voluntários suíços em Londrina. O grupo esteve na cidade durante os meses de junho e julho. O objetivo prático deles era reconstruir uma casa de catequese do Distrito de Paiquerê (Zona Sul), visitar famílias, além de conhecer os costumes do Brasil ocupando o período de férias.
Algazarra de crianças, barulho de serra de madeira e muita vontade, apesar da eficiência duvidosa, era o que podia ser visto no terreno onde a casa de catequese estava sendo reformada. Dinheiro de fora para benefício dos católicos brasileiros. Cerca de 200 crianças têm aula no prédio que estava danificado pela ação do tempo, conta irmã Dolores Martins, responsável pela paróquia de São José do Paiquerê. O trabalho dos suíços no Brasil foi considerado ''uma benção'' pela irmã.
Apesar de ter um italiano restrito a 'buon giorno' e 'grazie', aprendido com os suíços, o pintor brasileiro Donisete Idalino de Assis garante que a comunicação foi eficiente. ''Quando não dá para entender o que eles falam ou se eles não entendem a gente faz gestos'', explica. O pintor ria enquanto falava e imitava as mímicas que costumava usar para mostrar aos inexperientes ajudantes o modo correto de empunhar o pincel. ''Eles não entendem nada de construção, mas têm boa vontade. Explicando direitinho, fazem correto'', completou. Para quem tem 47 anos e nunca tinha ouvido uma língua diferente, trabalhar 'mandando' nos estrangeiros foi uma honra, garantiu Donisete.
Além de pintar a parede de uma das salas de catequese, o engenheiro mecânico Luca Malaguerra, 28 anos, sofria sendo 'pintado' de brincadeira pelos amigos. Essa foi a primeira vez que ele veio ao Brasil. Ele revela que pretende voltar por causa das paisagens e das mulheres.
Segundo o coordenador do grupo, Mauro Clerici, na Suíça os bens materiais são muito valorizados, no entanto, no Brasil as pessoas seriam felizes com pouco. Clerici conta que já viajou por vários países fazendo trabalho missionário. No Brasil, segundo ele, o povo é comunicativo, recebe bem os visitantes, além de ser prestativo. Para Clerici, poder viajar pelo mundo ajudando e conhecendo outros povos é muito gratificante.
A idéia de que os brasileiros são um povo alegre é também a impressão que leva do Brasil a estudante de pedagogia Lisa Reboldi, 20 anos. Durante o tempo que esteve aqui ela trabalhou como voluntária em uma creche. Organizar brincadeiras e ajudar a criançada nas atividades estavam entre os afazeres dela. Mesmo sem falar nada em português e as crianças nada em italiano a comunicação foi possível. ''Ela é a mais legal'', disseram algumas crianças, que ficaram todo o tempo agarradas às pernas dela.
Pequenos cheios de animação foi o que a professora Marzia Occhi, 27 anos, viu nas crianças brasileiras. Segundo, ela os infantes na Europa pulam e cantam, mas logo estão cansados enquanto os brasileiros são dispostos e contentes.


