James Alberti
De Curitiba
Curitiba é a segunda cidade brasileira em número de registros de suicídios entre jovens de 15 a 24 anos, ficando atrás apenas de Porto Alegre (RS), revela estudo inédito da Fiocruz publicado na revista Veja desta semana. A capital do Paraná tem média de 7,3 mortes por cada 100 mil habitantes entre os anos de 1979 e 1995. Porto Alegre tem média de 7,6. O estudo tem base em informações do Ministério da Saúde sobre óbitos em nove regiões metropolitanas do País.
De acordo com o trabalho da Fiocruz, a taxa de suicídios de Curitiba é 25% maior que a média nacional (5,9). A pesquisa destaca ainda as cidades de Belém, com média de 6,7; Recife, com 6,3; São Paulo, 5,8; Belo Horizonte, 5,6; e Fortaleza, 4,8. O Rio de Janeiro aparece em seguida, com 1,8, e Salvador, com 0,4. Os índices da capital gaúcha e Curitiba são semelhantes aos da Argentina e México e maiores do que os de países como Holanda (6,8) e Inglaterra (6,0), nos quais as taxas totais são várias vezes maiores que os do Brasil.
Para o psiquiatra Saint Clair Bahls, professor do Departamento de Psicologia da Universidade Federal do Paraná, pelo menos 15% dessas mortes estão ligadas à depressão – uma das causas apontadas pela revista. Bahls, que pesquisa a depressão na adolescência, afirma que não se pode afirmar, no entanto, que as pessoas do Sul cometem mais suicídios que as do Nordeste, como mostram os números. ‘‘O resultado tem base em registros de óbitos’’, explica.
O professor revela que há um tipo de depressão relacionado à falta de luz solar – doença comum nos países do Norte da Europa. Este tipo, no entanto, não é a razão das mortes dos Brasil, afirma. As causas dos suicídios, conforme Bahls, estariam ligadas à depressão e outros fatores não identificados. ‘‘O suicídio é cometido por quem não vê solução para sua dor. Por quem acha que não aguenta mais viver’’, disse.
Conforme Bahls, há uma diferença básica entre a atitude dos jovens de sexos diferentes. As mulheres costumam tentar o suicídio mais vezes, com menor sucesso. Já os homens, tentam menos, mas são mais eficientes. Isso deve-se, segundo o professor, ao método usado por cada um. As mulheres preferem métodos de intoxicação, como remédios e venenos. ‘‘São salvas mais facilmente’’, diz. Os homens usam formas mais violentas, como arma de fogo, enforcamento e a queda de edifícios.
Bahls acredita que não subestimar a doença e a dor dos jovens é o caminho para previnir as tragédias. Isso porque a depressão atinge 10% da população masculina e entre 20% e 25% da feminina; ou seja, afeta uma mulher em cada quatro, e um homem em cada dez. Dos 12 anos à maioridade, esse índice gira em cerca de 6% da população.

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