A sugestão do juiz da Vara de Execuções Penais (VEP) de Londrina, Roberto do Valle, de usar prédios públicos ou algum ginásio de esporte, como o Moringão, para abrigar presos enquanto o 2º Distrito Policial (zona leste) estiver passando por reforma dividiu opiniões. Por causa da superlotação nas unidades prisionais, o município está praticamente sem vagas para novas prisões desde a semana passada.
O presidente do Conselho Comunitário de Segurança, Pedro Marcondes, declarou ser favorável à utilização de locais alternativos como medida emergencial. ''Se houver um prédio público que possa se prestar a isso eu não vejo problema'', disse. Por outro lado, argumentou que é preciso agilizar os procedimentos de transferências de presos. Marcondes lembrou que o risco dessa situação ocorrer foi relatado em março ao governo, quando foi entregue o plano de segurança proposto pelo município.
O representante da comunidade destacou que Londrina precisa urgentemente de uma nova unidade prisional e que, diante do atual quadro, poderia até ser construída sem licitação.
Já o presidente da Comissão de Segurança da Câmara Municipal, vereador Jamil Janene (PDT), discordou da sugestão do juiz de ''usar um cartão-postal de Londrina para colocar presos''. Para ele, é preciso cobrar uma solução do governo estadual.
Os dois concordaram em um aspecto: que a construção do Centro de Detenção Provisória se transformou em disputa política. ''Isso virou uma briga política e quem está pagando o pato é a população de Londrina'', alfinetou Janene. Marcondes criticou que a demora na definição do terreno para abrigar a nova unidade está trazendo ''desdobramentos políticos negativos''.
O delegado-chefe da 10 Subdivisão Policial, Jurandir Gonçalves André, considerou a proposta da VEP ''totalmente inviável''. ''Presos só podem ser recolhidos em presídios e qualquer outro local pode representar um risco à segurança pública.'' Para ele, não existe nenhum prédio público em Londrina capaz de abrigar presos com segurança. Ele pontuou que seria necessário formatar um esquema de proteção muito grande.
As secretarias de Estado de Segurança Pública e de Justiça não se posicionaram sobre o tema até o fechamento desta edição.

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