Em meio a tumulto provocado pelo advogado de defesa, Antônio Carlos Vianna, a testemunha Nevair Freitas Serra Junior, 28 anos, prestou depoimento ao delegado Antônio do Carmo a respeito do homicídio praticado pela dona-de-casa Maria Suely Costa Moura, 38 anos, contra a secretária Jacqueline Carneiro Lobo, 21 anos. O crime aconteceu na tarde da última sexta-feira, no escritório de advogacia onde a vítima trabalhava, no edifício Mônaco, rua Piauí (área central). A secretária foi ferida com um tiro na cabeça, de uma pistola 6.35, e morreu na Santa Casa depois de passar 29 horas em coma.
Junior contou na polícia que trabalha na sala em frente. Ele afirmou ter visto quando Maria Suely abriu a porta com a mão esquerda e, com a arma na mão direita, invadiu o escritório onde estava Jacqueline. ‘‘Ela acionou o gatilho duas ou três vezes’’, garantiu a testemunha. Conforme o que disseram também outras testemunhas, Jacqueline estava sentada em frente à porta e começou a gritar. Na sequência, como os tiros não saíram, Suely teria passado ‘‘a dar coronhadas na cabeça da secretária’’.
Nessa parte do depoimento, o advogado Vianna começou a gritar que a testemunha estava mentindo, e que no Tribunal de Júri iria provar o que estava afirmando. ‘‘Isso é montagem da acusação, pois este cara não poderia ver o que a (Maria) Suely estava fazendo com a arma’’, protestou. O delegado que preside o inquérito, Antônio do Carmo, exigiu que o advogado mantivesse o decoro, ameaçou tirá-lo da sala e informar a Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) que ele estava tentando tumultuar o inquérito. Vianna se retirou da sala protestando em voz alta. Ele ameaçou mandar prender a testemunha por ‘‘mentir no inquérito’’ e prometeu que nos próximos depoimentos exigirá a presença de um promotor especial.
O advogado de acusação, João dos Santos Gomes Filho, não estava na sala no momento da confusão. Ele soube depois o que aconteceu. ‘‘O pedido do doutor Vianna é muito bom para que o Ministério Público e a Justiça fiquem sabendo com que lisura e honestidade que este delegado (Antônio do Carmo) está conduzindo o inquérito. O comportamento do nobre colega (Antônio Vianna) é motivado pelo desespero, pois a cada dia que passa temos mais certeza de que o crime foi premeditado’’, comentou Gomes Filho.
O delegado vai fazer constar no inquérito que o advogado Vianna tentou amedrontar a testemunha e tumultuar o inquérito. Junior também disse que pouco conhecia Jacqueline, mas sabia de seu namoro com o ex-marido de Maria Suely, médico e professor de cursinho João Bento Moura Neto. Meia hora antes do crime o médico esteve no local de trabalho da namorada. Ele deverá ser ouvido hoje pela manhã.

mockup