A arquiteta Fernanda Sánchez Garcia afirma que muito do sucesso de Curitiba está associado a propaganda excessiva. Segundo ela, nas diversas administrações se investiu na construção de um mito de uma cidade que dá certo. ‘‘Curitiba hoje trabalha com programas pontuais, abusando da semiótica, através de seus símbolos, como a Rua 24 Horas, estações-tubos e farol do Saber’’, critica. A arquiteta tem uma tese questionando a associação do marketing com o planejamento urbano, que resultou num livro Curitiba - Cidade-espetáculo.
Fernanda afirma que alguns dos projetos da cidade, ditos como exclusivos, são cópias de soluções desenvolvidas em outras cidades. A Rua 24 Horas imita galerias francesas; o calçadão da XV de Novembro foi inspirado em outras ruas de pedestres européias; e as canaletas de ônibus são réplicas de modelos belgas e alemães.
A arquiteta diz que não existe uma visão estratégica para enfrentar os problemas futuros da cidade. ‘‘Não há uma política que pense inclua metropolização e o desenvolvimento industrial da cidade’’, afirma. O criador do plano diretor de 1965, o arquiteto Jorge Wilheim, entende que a cidade vive um momento crucial, que é tão importante como o vivenciado na primeira gestão. ‘‘Estou curioso para ver como o Ippuc enfrenta o crescimento, a metropolização e a aculturação’’, diz.
A professora de Urbanismo da Universidade Federal do Paraná (UFPR), Cristina de Araújo Lima, vai mais longe acredita que falta uma visão social nos programas municipais. Ela entende que as enchentes, ocasionadas pela ocupação irregular de fundos de vales, ou o cidadão que pula a catraca são respostas da parcela da sociedade que ficou excluída do modelo urbano curitibano. ‘‘Curitiba se desenvolveu tecnologicamente, mas não evoluiu no social’’, comenta. Ela considera que a habitação e a educação são pontos que a prefeitura deve priorizar.(I.R.)

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