Sucesso do vinho artesanal é atestado na terceira safra
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quarta-feira, 15 de novembro de 2006
Widson Schwartz<br> Especial para a Folha 
Ibaiti - Uma chácara na periferia de Ibaiti (Norte) está divulgando, de forma saborosa, o nome do município. A família Bataer, que começou a produzir vinho há pouco mais de dois anos, está ganhando mercado com o produto. Enquanto a propriedade onde são produzidos aguarda a certificação do Instituto Biodinâmico, os vinhos Bataer não têm o selo de orgânicos. ''São artesanais, 100% naturais, resultado da experiência de fazer um pouco, testar a receita, ver se agrada'', expõe Jorge Bataer, que produziu inicialmente mil litros, aumentou para 5 mil na safra seguinte e chegou, este ano, a 8 mil, que ainda descansam nos tonéis.
A terceira safra é o atestado de que os vinhos - o plural está no rótulo, levando em conta as variedades - agradaram. E a Chácara São Jorge, no bairro Amorinha, a 8 quilômetros do perímetro urbano de Ibaiti, agora é mais conhecida por causa da vinícola. São seis mil pés de uva bordô em 12.600 metros quadrados, rendendo 15 toneladas por hectare, suficientes para a produção de vinho, mil litros de suco e uma quantidade de polpa.
Com graduação alcoólica de 12 graus, secos e suaves, os vinhos chegam aos consumidores em garrafas de 750 ml, a R$ 5; e garrafões a R$ 10 e R$ 20. As embalagens têm rolha, lacre e rótulo sugestivo, com o desenho de uma adega. ''Estão preferindo mais o tinto, vamos trabalhar quase só com o tinto'', observa o vinicultor, que já diminuiu a produção de branco e rosé. Os vinhos são vendidos na chácara, em feiras e estabelecimentos de produtos artesanais e orgânicos, até em Curitiba.
Segundo Bataer, ''é uma interessante opção de renda, entra dinheiro quase diariamente'', proporcionalmente à venda parcelada do vinho durante o ano, a preço estável. Lembra que, antes de fazer vinho, se não conseguisse vender pelo menos 95% da uva in natura imediatamente à colheita, em dezembro e janeiro, tomava prejuízo, por ser comum na virada do ano o preço cair 30% e, às vezes, pela metade.
Na propriedade, de apenas 1,5 alqueire (36,3 mil metros quadrados), o parreiral está ao lado de uma vinícola que obedece às normas sanitárias. Mesmo sabendo que a melhor vinificação ocorre em tonel de madeira, Bataer usa os de aço inoxidável e de fibra, que facilitam a limpeza e são recomendados pela fiscalização. ''A madeira não é lavável'', diz. Mas o processo é inteiramente natural, com as inerentes ''leveduras menos resistentes, que morrem no álcool que elas mesmas produzem'', vai explicando o vinicultor. Daí a estabilidade natural do vinho, sem conservante, em oposição à industrialização de larga escala que pode incorporar fermentos, leveduras e conservantes de laboratório.
Bataer relaciona o sucesso da vinícola ao princípio da agricultura orgânica: quem produz com mais qualidade, ética trabalhista e respeito ao ambiente, deve ser remunerado justamente. E os consumidores de produtos orgânicos correspondem ao princípio. O Instituto Biodinâmico, com a sede em Botucatu (SP), acompanha rigorosamente os métodos nas propriedades inscritas para certificação, explica Bataer, que não trabalha sozinho. Em alguns meses, os empregados recebem até quatro salários mínimos, afirma. Procedentes do Estado de São Paulo, os Bataer chegaram a Ibaiti na segunda metade da década de 40. Além da chácara onde está a vinícola, a família tem 24 alqueires, que constituem uma propriedade diversificada incluindo café e criação de frango de corte.


