Administrar uma empresa já não é fácil. Conquistar o sucesso também. E mantê-lo? Em tempos nos quais o conceito de ''empresas familiares'' ganha corpo, dar continuidade a um trabalho é quase que requisito obrigatório.
Para se ter idéia, em números, as empresas familiares, no Brasil, representam 95% das grandes corporações. Se, por um lado, a peculiaridade de tais empresas traz vantagens na competitividade, por outro a sucessão inspira um sem fim de cuidados.
Pensando nisso, as psicólogas Isabel Doval, de Porto Alegre, e a londrinense Lílian Gava Ferreira ministram, a partir deste mês, em Londrina, o ''Programa de Desenvolvimento de Herdeiros e Sucessores de Empresas Familiares''.
Iniciativa dos sucessores - Segundo Isabel, que tem 24 anos de atividade profissional em gestão estratégica de pessoas e desenvolvimento de instituições, empresas e grupos, a boa resposta para o curso - a turma londrinense já está fechada -, se dá por iniciativa dos próprios sucessores. ''Eles (os sucessores) se vêem neste desafio, estruturam um negócio que representa valores da família, querem se tornar capazes, se desenvolver para poder dar continuidade àquilo que seu pai ou seu avô criou. Há muitos que não querem assumir determinado negócio, mas, na falta de seu familiar que rege a cadeia produtiva da empresa, sabem que vão precisar dar conta do recado''.
Isabel acentua, ainda, diferença fundamental em se tratando de uma empresa familiar: os conceitos de herdeiro e sucessor. ''O curso trata essa questão, que envolve se a pessoa vai estar na empresa, tomando decisões, como sucessora, ou se vai delegar, como herdeira, essa tarefa a alguém'', afirma.
Trabalhar a saída - Em relação à faixa etária de seus ''alunos'', a psicóloga gaúcha salienta que a maior demanda está compreendida entre os 30 e 40 anos. ''Primeiro vêm os herdeiros e sucessores. Depois, cria-se, nos cursos individuais, uma abertura para o empresário trabalhar essa sua saída''.
Quando se fala em saída, aliás, Isabel acena com outro ponto importante. ''Nosso foco é o fundador, tenha ele seus 70 e poucos anos ou seja mais jovem, para que possa se preparar e tomar consciência de que não é eterno, mesmo que fantasie com isso. A proposta não é só informar, mas trabalhar a questão de maneira mais subjetiva, isto é, a relação pai e filho, diretor e subordinado...''.
Na relação homem versus mulheres, o dito sexo frágil não hesita em recorrer primeiramente ao curso para herdeiros. ''As mulheres estão mais dispostas, são mais disponíveis. Os homens primeiramente vão em busca de informações, querendo, posteriormente, lidar com as questões mais técnicas'', ressalta Lílian, com 10 anos de atividade profissional em empresas familiares.
Paralelo entre culturas - Acostumadas a viajar o país, Lílian e Isabel fazem o paralelo entre as empresas de Londrina e Porto Alegre, suas respectivas cidades. ''A empresa familiar do Rio Grande do Sul tem muita influência da cultura européia, no sentido histórico de que começaram todos juntos e puseram a mão na massa. Hoje, levantam todos cedo para trabalhar na mesma empresa'', aponta Isabel.
Lílian, por sua vez, vê Londrina como aquela cidade com seu ''quê'' de interior, mesmo diante do desenvolvimento. ''Londrina, assim como o Paraná, é composta por uma população mais jovem. É comum vermos um casal aproveitando essa parceria afetiva para iniciar algum negócio. O ponto de partida é diferente, mas a empresa segue sendo familiar'', analisa.
Quando perguntadas sobre um bom exemplo de empresa familiar, com herdeiros e sucessores devidamente preparados, a dupla é unânime em citar a gaúcha Gerdau, gigante no segmento da siderurgia. ''A Gerdau é a referência perfeita. A sucessão deu e dá certo e isso certamente não foi improvisado. Nesse caso específico, a relação dos irmãos foi trabalhada para a musculatura da empresa, já desenvolvida, ser mantida. É o desenvolvimento inteligente do material humano'', concluem.

Serviço
Com a primeira turma fechada, o ''Programa de Desenvolvimento de Herdeiros e Sucessores de Empresas Familiares'' acontece a partir deste mês com extensão até abril de 2008. A intenção é formar novas turmas, no ano que vem. Outras informações com Lílian Gava Ferreira pelo (43) 3339-4033 ou 9128-5357.

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