Acidentes de trânsito, perícia de locais de crimes, retratos falados, exames de balística, avaliação de impressões digitais. Essas são algumas das atribuições do Instituto de Criminalística (IC) que será homenageado hoje na Câmara de Vereadores de Londrina com Diploma de Reconhecimento Público. A homenagem, entretanto, encontra sucateada a unidade que um dia foi modelo no país, com resoluções de crimes em outros estados e referência em setores como crimes de informática e análises de vídeo. Quatro laboratórios foram fechados. Com duas viaturas e 11 profissionais para atender 92 municípios da região e recorrente falta de investimentos em recursos humanos e equipamentos, hoje o IC prioriza tarefas.
O chefe do IC, Darci Dória de Faria, admite os problemas. ''Temos poucos peritos, por isso fazemos o mais necessário, como exames de veículos adulterados, locais de crimes e balística. Na medida do possível atendemos os demais (laudos e perícias)'', afirma.
Mesmo as prioridades sofrem com a deficiência. Aquelas cenas de filmes de TV onde os peritos colhem todo o tipo de prova no local do crime para posterior avaliação, passam muito longe da realidade londrinense. ''Para coletar uma impressão digital eu preciso de reagentes importados; para coletar uma bituca de cigarro preciso ter embalagens específicas para acondicionar o material, e não temos nada disso'', afirma o perito Daniel Felipetto, recém-empossado presidente do Sindicato dos Peritos, criado esta semana.
Na sala do perito, tudo, das mesas aos dois computadores e equipamentos usados na perícia de cassetes e vídeo, foi comprado por ele. ''Ganho hoje a mesma coisa que ganhava 10 anos atrás. Naquela época, como uma forma de incentivar o governo, os peritos subsidiavam os laboratórios; como não tivemos retorno, paramos'', explica, referindo-se ao fechamento dos laboratórios de documentoscopia, crimes de informática, análise de áudio e vídeo e fonética forense, que não tinham verba destinada pelo Governo do Estado. O piso salarial dos peritos gira em torno de 1,6 mil. ''Temos um trabalho científico e ganhamos menos que os carcereiros'', resume.
O sucateamento do IC reflete diretamente no trabalho de investigação de uma série de crimes. Segundo o delegado da força-tarefa da Homicídios, Márcio Amaro, a maior parte dos inquéritos baseia-se em provas testemunhais. ''Trabalhamos principalmente com a malícia policial e contamos com a sorte'', comenta o delegado.
Segundo ele, no ano passado pouco mais de 90% dos homicídios investigados pela força-tarefa foram resolvidos e os responsáveis respondem processo criminal. ''De modo geral, o sujeito acaba confessando'', diz. É quando não há testemunhas e confissão que a situação da força-tarefa se complica e, nesses casos, a polícia técnica bem equipada faz muita falta. ''Pelo menos metade dos crimes não resolvidos no ano passado nós sabemos a autoria, mas as pessoas negam e não há provas'', resume o delegado.
O diretor geral do IC do Paraná, Ari Fontana, não nega que os institutos estão sucateados. ''Sabemos que há uma precariedade total, com falta de pessoal e há mais de 10 anos não se adquire equipamentos, não temos nem computadores'', afirma. Segundo ele, a secretaria de Segurança Pública formou uma comissão no final do mês passado para fazer um levantamento de pessoal visando a realização de concurso público. ''Estamos providenciando essa questão de pessoal e no final do ano passado definimos metas onde os equipamentos estão inclusos'', finaliza.

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