Sucateamento da prefeitura irrita população
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sexta-feira, 29 de novembro de 2002
Giovana Kindlein<br> Reportagem Local 
Seria um enredo tragicômico de novela, não fosse uma história real. A psicóloga e escritora Nina Graça de Oliveira Cardoso dividiu em sete capítulos seu contratempo com a queda de uma árvore em frente à sua casa e a burocracia da prefeitura para atendê-la. ''Isso não é para rir. É sério!'', disse ela. Moradora da Rua Carlos Gil, na esquina com a Rua José Vítor de Souza Irmão, na Vila do Cambezinho (zona oeste), ela tentou, em vão, no início da semana, evitar que duas árvores caíssem sobre sua casa, danificando parte do muro e de um toldo. Já se passaram quatro dias, ou seja 96 horas, desde o dia em que o aviso foi dado. Questionado sobre a demora e a burocracia, o novo secretário municipal do Ambiente, Dirceu Luiz Fumagalli, afirmou que ''o Estado como um todo tem, no mínimo, 72 horas para resolver o problema''.
Segundo Fumagalli, atualmente a secretaria ''só está apagando fogo''. O caso das árvores em frente à casa de Nina, de acordo com o secretário, não é uma questão isolada. ''Temos demandas acumuladas e reprimidas para preservação de nossas árvores em muitos pontos da cidade'', explicou ele. Porém, salientou que ''infelizmente, não tem uma equipe de prontidão. Estamos defasados''.
O secretário acredita que apenas três pessoas fazem avaliação da situação das árvores doentes. Além disso, reconheceu que ''não existem equipamentos e caminhões disponíveis''. Fumagalli confessou que ainda não sabe exatamente quantas pessoas trabalham em sua secretaria. ''Hoje é meu quarto dia de trabalho'', justificou. Entretanto, admitiu que ''o município deveria ter uma equipe de alerta para este tipo de situação, que seja conjugada com a CMTU e outros serviços''.
''Até quando todos terão que conviver com uma máquina administrativa emperrada?'', questiona Nina. Sua vizinha, Vanessa Beatriz de Oliveira, protocolou em 15 de outubro um pedido para corte de uma árvore em sua rua. Até ontem, a secretaria não havia verificado a situação. ''Ficamos muito preocupados quando chove'', observou ela.


