SUCATEAMENTO - Caos nas sedes do IML compromete atendimento
PUBLICAÇÃO
sexta-feira, 24 de abril de 2015
Viviani Costa<br>Reportagem local 
Londrina Peritos e funcionários do setor administrativo acumulam a função de auxiliares de limpeza. Resíduos das necrópsias são armazenados de forma improvisada. Carros repassados sem contratos de manutenção dependem de pneus emprestados para rodar. Este é o cenário atual em algumas das sedes do Instituto Médico Legal (IML) no interior do Paraná. As dificuldades que se arrastam há meses são enfrentadas em silêncio pela equipe, já que uma portaria publicada pelo governo do Estado determina que "toda manifestação oficial, escrita ou falada, sobre assuntos pertinentes a atividades técnico-científicas do IML do Paraná solicitada por autoridades locais, estaduais ou a imprensa, não devem ser respondidas pelas respectivas chefias". O documento assinado pelo diretor geral do IML no Estado, Carlos Alberto Peixoto Baptista, encaminhado aos diretores das sedes do IML no Paraná entrou em vigor no dia 20 de fevereiro e, desde então, "todas as solicitações devem ser remetidas à direção geral".
Relatos de funcionários e de colaboradores apontam o caos vivido pelas equipes. Os nomes das fontes consultadas pela reportagem não serão revelados. No IML de Umuarama, no Noroeste, a coleta do lixo hospitalar deixou de ser feita em outubro do ano passado. Com isso, restos dos exames de necrópsia passaram a ser armazenados de forma improvisada. "Guardamos os objetos cortantes como lâminas, mas o que a gente pode joga no lixo comum, como as roupas, por exemplo. Não temos nem uma sala para os funcionários, não teria como armazenar tudo isso. Isso está insustentável", contou, sem detalhar o volume a ser descartado.
Sem zeladoras terceirizadas desde novembro, peritos e funcionários do setor administrativo também acumulam a função de limpeza, incluindo a das mesas de necrópsia. Situação semelhante foi relatada em Paranavaí (Noroeste), que não conta com o serviço de limpeza há mais seis meses. Por lá, o armazenamento do lixo hospitalar também ocorre de forma improvisada. No IML de União da Vitória (Sul), a limpeza chegou a ser suspensa durante três dias por causa da falta de repasse do governo do Estado.
Em Londrina, o lixo é recolhido regularmente, mas o contrato terceirizado de limpeza vence no dia 30 de abril, o que pode comprometer os atendimentos a partir do dia 1º de maio. O feriado será na próxima sexta-feira, o que ocasionaria o acúmulo de função aos profissionais durante o final de semana. Parte dos serviços permaneceria suspensa.
A defasagem no quadro de funcionários também prejudica a realização de perícias médicas relacionadas ao seguro DPVAT, solicitado em casos de acidentes de trânsito. Nesta semana, quem procurou o IML de Londrina só conseguiu agendar consulta para abril de 2017. Vítimas de abuso sexual e de lesão corporal também são atendidos nos IMLs. Três médicos atuam na escala em Londrina e um está em férias. Nas últimas semanas, a sede que atende 35 municípios da região também acumulou os trabalhos do IML de Jacarezinho que está sem peritos para realizar os exames. Dois médicos contratados de forma temporária pediram demissão e um está em licença médica. A promessa do Governo é de que esta situação seja regularizada em breve.
Em Cascavel (Oeste), a preocupação é com o fim do contrato dos profissionais temporários no mês de julho. Segundo informações repassadas à reportagem, a sede do IML recebeu, recentemente, novos móveis e computadores. "Temos 18 funcionários no total, contando os temporários. Sem eles, vai ser difícil continuar os trabalhos aqui. O contrato de limpeza também deve vencer no meio do ano. Tomara que esteja tudo encaminhado. Há um ano ficamos de três a quatro meses sem limpeza", relatou. n Leia mais na pág.2


