Sucateado, IML pode ficar sem médicos
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sexta-feira, 21 de junho de 2002
Phoenix Finardi<BR>Reportagem Local 
Chegamos ao fim da linha. É assim que o legista-chefe do Instituto Médico Legal de Londrina, Rogério Eisele, define a situação do órgão. Ele tem em mãos um pedido de transferência do IML que pretende entregar assim que voltar das férias, no próximo dia 1º. Se a transferência não for aceita vou pedir demissão, garante. O anúncio da saída de Eisele pode precipitar a crise que há anos vem se formando no IML. Os quatro médicos de carreira do Instituto pediram aposentadoria; os outros quatro cumprem contratos temporários e já avisaram que não pretendem ficar no trabalho.
O motivo é a precariedade da estrutura do Instituto Médico Legal. No necrotério, as oito geladeiras estão desligadas. Os fusíveis ameaçam um curto-circuito. Temos que liberar rapidamente os corpos que chegam porque não há como conservá-los, mesmo que precisem de exames detalhados, afirma Eisele.
Pior ainda, se os funcionários receberem algum corpo já em estado de decomposição ou sem identificação, o cadáver vai ter que ficar em cima de uma mesa até ser sepultado. Como a sala de exames fica ao lado, as pessoas vão ter que suportar o cheiro, avisa Eisele.
O equipamento de raio-X está há oito meses num galpão em Curitiba porque o IML não tem uma sala com isolamento apropriado. A máquina custa R$ 100 mil e corre o risco de estragar se permanecer mais de três meses sem uso.
A mesma coisa acontece com os oito computadores que o Instituto ganhou. Três já foram devolvidos e os outros ainda estão dentro das caixas. O cromatógrafo, aparelho usado para examinar substâncias tóxicas, está encostado num canto do laboratório e vai ser devolvido para o IML de Curitiba. De acordo com Eisele, o equipamento custa mais de US$ 100 mil e detecta todo tipo de droga. A instalação elétrica do prédio não suporta a ligação de mais nenhum aparelho. Falta também material de trabalho: Estamos comprando fiado e todo mês eu tiro dinheiro do bolso, diz Eisele.
Rogerio Eisele trabalha no IML há seis anos e meio e assumiu a chefia em dezembro do ano passado. Ele é um dos poucos patologistas forenses do Brasil. Estudou Medicina Legal na Alemanha, em 1995, tem mestrado e é professor da Universidade Estadual de Londrina. Frustrado com a situação do Instituto, ele diz que perdeu a esperança de resolver o problema: Acham que eu estou brincando! Não posso ser conivente com o que está acontecendo aqui. Chegamos ao fim.


