Duas lavadoras de roupa e uma máquina de esterilização quebradas, caldeira sem funcionar há dois anos, sobrecarga de energia elétrica, goteiras e pisos fora do lugar. Sucateado, o Hospital da Zona Norte (HZN) de Londrina está pedindo socorro. Para entrar nos eixos, e não correr o risco de prejudicar o atendimento à população da cidade e região, o HZN precisa com urgência de uma reforma estrutural e novos equipamentos.
A diretoria do hospital reclama ainda que o processo burocrático para obtenção de recursos junto à Secretaria Estadual de Saúde dificulta a manutenção de máquinas que não podem parar de funcionar. ''Nossa situação é precária e muito grave. Um hospital não pode sobreviver sem medicamentos, comida, roupas limpas e materiais esterilizados. Sem isso, o hospital pára de funcionar. Ontem (quarta-feira), o pessoal do Centro Cirúrgico estava bem preocupado com esses problemas'', relatou o diretor-chefe do HZN, Paulo Roberto Gutierrez.
Por mais de 20 dias, com as duas lavadoras danificadas, as roupas de cama e as vestes dos pacientes tiveram de ser limpas por uma empresa terceirizada. O processo de esterelização das roupas e dos materiais clínico-hospitalares, feito por duas máquinas autoclaves, também quebradas, foi transferido para o Hospital da Zona Sul. Hoje, apenas uma autoclave está funcionando, ainda que de forma precária.
As duas máquinas de lavar e a outra esterelizadora passam por manutenção e devem ficar prontas no máximo em 10 dias. ''As máquinas de lavar, por exemplo, estão no hospital desde a fundação, há 17 anos, e nunca passaram pela manutenção ideal'', contou o diretor. O espectofotômetro, um aparelho utilizado para diagnosticar enfarto de miocárdio, também está quebrado. ''Não tivemos outra alternativa, reduzimos em cerca de 10% o volume de procedimentos no centro cirúrgico'', lamentou. O HZN tem hoje 56 leitos e realiza cerca de 5,5 mil consultas de pronto-socorro e 450 internações por mês.
Ontem, representantes da comunidade da Zona Norte e do Conselho Municipal de Saúde se reuniram com a diretoria do hospital. ''Queremos um posição da hospital, porque temos ouvido muita reclamação de pacientes. A questão das roupas é absurda, elas deixam o hospital dentro de uma kombi sob risco de contaminação por bactérias e vírus'', argumentou o artesão Sebastião Francisco Rego, membro do Conselho de Sáude da Zona Norte.
A chefe da 17 Regional de Saúde, Vânia Gutierrez, marcou uma reunião com o superintendente e técnicos do Hospital Universitário (HU) para discutir a reforma e a ampliação dos hospitais da Zona Norte e Zona Sul. O encontro está agendado para as 11 horas, no HU. Vânia disse também que a Secretaria de Sáude já liberou dinheiro para as reformas de infra-estrututa e manutenção de equipamentos do HZN. ''Esperamos que as obras estejam começando em janeiro''. Após a reforma, os hospitais devem estar equipados com 100 leitos cada.

mockup