FRANCISCO BELTRÃO - Pelo menos 60 participantes do movimento reivindicatório ‘‘Grito da Terra’’, formado por pequenos agricultores, sem-terra e dirigentes do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra (MST), permanecem ocupando a sede regional do Incra em Francisco Beltrão (Sudoeste do Estado), iniciada na quarta-feira. Eles não aceitam a substituição do executor da Unidade Avançada do Iguaçu, do Incra.
A superintendente do Incra no Estado, Maria de Oliveira, havia designado para o cargo Célio Bonetti, ligado a movimentos de trabalhadores e pequenos agricultores, há pouco mais de um mês. Na semana passada, Bonetti foi substituído por Adriana Salvadori, por intervenção direta do deputado federal Nelson Meurer (PPB), de Francisco Beltrão.
O deputado integra a bancada de sustentação do governo federal na Câmara. Adriana é irmã do vereador Selmo Salvadori, do mesmo partido de Meurer, e Maria de Oliveira recusa-se a dar posse a ela, porque a nomeação para o cargo deve ser por critérios técnicos.
Maria de Oliveira argumenta que Célio Bonetti atendia requisitos para o cargo e havia sido encarregado de reestruturar a unidade. Também os pequenos agricultores do ‘‘Grito da Terra’’ e o MST exigem o retorno de Bonetti.
Na semana passada, cerca de 1,5 mil pessoas ocuparam as instalações da Secretaria Estadual da Agricultura e do Incra em Francisco Beltrão. Eles só deixaram as instalações da secretaria anteontem, depois que lideranças estaduais do ‘‘Grito da Terra’’ conseguiram marcar audiência com o governador Jaime Lerner (PDT), para apresentar reivindicações. Uma delas é o apoio a programas para viabilização da agricultura familiar.
A sede do Incra, porém, permaneceu ocupada, por causa do impasse envolvendo a nomeação da substituta de Bonetti. Maria de Oliveira deve viajar amanhã a Brasília para conversar com a direção do Incra sobre o assunto.

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