Da Redação
O subprefeito do distrito de Warta (13 km ao norte de Londrina), Manoel Alves Pinheiro Filho, pode responder processo por infringir a lei de proteção ao meio ambiente. A representação criminal foi apresentada na semana passada pelo funcionário público aposentado Aliceu Choucino, morador de Warta, ao promotor interino de defesa do Meio Ambiente, Sérgio Côrrea de Siqueira.
Manoel Alves Pinheiro Filho justificou à Folha no dia 19 de outubro que corte de folhagem em praça do distrito foi para garantir segurança aos usuários
No dia 19 de outubro, Pinheiro Filho teria mandado cortar duas árvores sadias na Praça Padre Aurélio Bastos. Em matéria publicada na Folha, no dia 20, Pinheiro Filho defendeu que determinou apenas a poda de folhagens, da espécia Ailca, e não o corte de árvores.
‘‘Ele tirou duas árvores sadias pela raiz, sem motivo algum. Isso causou uma revolta em todo mundo’’, contestou ontem Choucino. Ele afirmou ainda que com as ‘‘folhagens’’ retiradas da praça foi possível encher três caminhões de lenha.
Ainda segundo o funcionário público aposentado, embaixo das árvores que foram retiradas – e que tinham alturas entre 12 e 15 metros, segundo consta na representação criminal – existe uma mesa onde as pessoas idosas do distrito costumavam jogar baralho e conversar. ‘‘Agora eles perderam a sombra. E se não fosse a reportagem, ele teria tirado mais árvores’’, completou.
Choucino afirmou também que encaminhará a representação ao Instituto Ambiental do Paraná (IAP) e para a Companhia Municipal de Urbanização (Comurb). ‘‘Queremos que alguém tome alguma providência. O aposentado já foi subprefeito de Warta mas garante que fez a denúncia como cidadão, e não como político. ‘‘Moro aqui há mais de 50 anos.’’
Ontem, o atual subprefeito, Manoel Pinheiro Filho, não quis comentar o assunto. Na matéria do dia 20 ele havia declarado à Folha que o vegetal que foi podado no distrito é considerado folhagem e não árvore. Por isso, não precisaria de laudo técnico para cortar. Além disso, alguns galhos da folhagem estariam podres e havia o risco de caírem sobre a cabeça das crianças que brincam na praça.
O promotor Sérgio Siqueira encaminhou a reclamação para o Juizado Especial Criminal (JEC), por se tratar de crime com penas de até um ano de reclusão. O promotor encarregado, Raimundo Nogueira Soares, do JEC, disse ontem que primeiro deverá marcar audiências e ouvir testemunhas do caso. Depois disso é que irá avaliar se propõe ou não denúncia contra o subprefeito.

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