Subordinação persegue as organizações
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Cenas marcantesMarcha de prefeitos de todo o Brasil a Brasília (acima), mobilização que a população assistiu por mais de uma vez; abaixo, protesto contra a cobrança de pedágio em rodovias do Paraná
Subordinação persegue as organizações
Desde a República dos Palmares os movimentos populares no Brasil lutaram contra o domínio de segmentos mais fortes
Da Redação
A subordinação é uma das marcas que perseguem os segmentos majoritários da população brasileira, segundo a estudiosa Maria Luiza de Souza, em capítulo do livro Desenvolvimento de Comunidade e Participação (Cortez Editora).
De início foi a população nativa, levada à subordinação aos colonizadores portugueses; em seguida, a população negra e também grande parte dos imigrantes europeus, defende.
A estudiosa considera entre os marcos das lutas sociais no Brasil os negros da República dos Palmares, no Estado de Alagoas. Entre os imigrantes, conforme Maria Luiza, as formas de reação contra a dominação contavam com a experiência européia, onde a história de luta dos trabalhadores é bem mais antiga.
A consolidação do trabalho urbano e a ampliação dos aglomerados urbanos no início do século XX fizeram com que as lutas dessa população alcançassem uma expressão maior na articulação e nas condições de aglutinação. Essas lutas, no entanto, passaram a conviver com fases contínuas de ascensão e depressão, apesar de sempre presentes à sociedade brasileira.
Ela menciona, com base em outros autores, que nos anos de 1905-1908 deu-se a formação da federação operária de São Paulo e foi realizado o Primeiro Congresso Operário. No mesmo período, duas grande greves ocorreram em Santos (SP): a greve ferroviária da Paulista e a greve generalizada de maio de 1907 em São Paulo, como também a greve dos sapateiros na Capital da República em 1906.
Especificamente sobre a luta dos trabalhadores, a autora diz que no Brasil a história destas lutas tem um dos seus capítulos importantes a partir da Segunda República, quando a consolidação da economia urbano-industrial fez com que elas passassem a fazer parte do cenário político do País.
É a época - prossegue Maria Luiza - em que as lutas passam a ser gestadas com certa consciência de classe e não como forma instintiva e parcializada de reação. A problemática maior da população trabalhadora passa a ser reconhecida como problemática coletiva que, portanto, deve ser enfrentada coletivamente.
Se antes os movimentos sociais tinham a organização dos sindicatos, a partir da década de 60, informa a autora, a industrialização acelerada, o crescimento econômico e a pauperização passaram a funcionar como geradores de insatisfações.
No meio rural, a concentração da estrutura fundiária em grandes propriedade, a monocultura, a penetração de tecnologia poupadora de mão-de-obra e as novas formas de relação de trabalham tiveram papel decisivo no surgimentos de descontentamentos por parte da população brasileira.
No meio urbano, segundo a autora, também contribuiram para a agudização da problemática social as novas formas de exploração do solo: A especulação mobiliária, resguardada pelo Estado através da política estimuladora de investimentos urbanos, influiu no preço do solo urbano. Por outro lado, deve-se considerar as empresas de construção civil, que condicionam os altos preços das moradias.
Quanto ao conceito de movimento social ou popular, a estudiosa Maria da Glória Cohn, da Universidade de Campinas (Unicamp), que participou da Semana de Ciências Sociais em Londrina com a palestra Balanço e Perspectivas dos Movimentos Sociais Contemporâneos, no dia 17, em uma de suas obras define: Constituem formas importantes de mobilização e organização da população, mas possuem sérias limitações, dadas pelo caráter localista de suas ações.
Na obra, a autora reforça que, para se desenvolverem, os movimentos sociais ou populares necessitam se articular aos partidos políticos ou outras formas de organizações mais amplas.





