Lúcio Horta
De Londrina
O delegado-geral da Polícia Civil do Paraná, João Ricardo Képes Noronha, entregou ontem ao prefeito Antonio Belinati (PFL) cinco novas viaturas policiais e oficializou o remanejamento de 11 policiais civís que foram integrados aos quadros da 10ª Subdivisão Policial de Londrina.
A princípio, Noronha viria acompanhando o secretário de Segurança Pública do Paraná, Cândido Martins de Oliveira, e o comandante-chefe da Polícia Militar do Estado, coronel Guaraci Barros. Mas ambos tiveram que cancelar a viagem, conforme Noronha, devido ao surgimento de problemas relacionados ao Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) no Sul do Estado (leia textos nesta página). O delegado-geral veio acompanhado apenas pelo do delegado-chefe da Divisão Policial do Interior (DPI), Nabor Sottomaior.
Durante a entrega das novas viaturas e da apresentação dos policiais remanejados, no gabinete do prefeito Antonio Belinati, por volta das 11 horas de ontem, Noronha disse que considera reduzidos os índices de criminalidade do município. Noronha baseou-se em dados apresentados ontem pelo delegado-chefe da 10ª Subdivisão Policial, Wanderci Corral Fernandes: dois homicídios nos primeiros 16 dias do mês de novembro, além de um assalto a banco e uma média de um furto de veículo por dia, com média de 50% de recuperação.
‘‘Dois homicídios neste mês não é um índice alto’’, assegurou o delegado-geral. Ele destacou que, no mundo inteiro, o número de homicídios é o indicativo mais utilizado para se medir a criminalidade. E acredita que ‘‘raramente’’ no Brasil é encontrado um índice tão baixo numa cidade com as mesmas características de Londrina.
Noronha informou que o principal objetivo da visita de ontem foi passar à corporação as novas diretrizes de trabalho da instituição no Paraná. Para isso, ontem à tarde ele se reuniria com todos os delegados da região e, em seguida, com todos os investigadores.
Dentro dessas novas diretrizes, segundo o delegado, está o incentivo à integração do trabalho entre as polícias civil e militar; a aproximação da polícia com a comunidade; e a valorização do trabalho do profissional, otimizando a utilização dos recursos humanos.
Noronha destacou ainda que, sempre que necessário, a Polícia Civil poderá deslocar para o município um grupo do Cope, a exemplo do que ocorreu em setembro, quando foram cometidos no município oito assassinatos em apenas uma semana. O Cope já tem nova vinda agendada para janeiro do ano que vem, quando será realizado em Londrina os jogos pré-olímpicos de futebol.
Ele também negou rumores de que os policiais transferidos para Londrina seriam profissionais problemáticos, que respondem processos disciplinares dentro da Polícia Civil. Segundo Noronha, foram dois os critérios utilizados para fazer a transferência: ligação com a cidade (afetiva ou familiar) e decisão de ‘‘ordem operacional’’, selecionando os melhores profissionais.
‘‘Desconheço esse aspecto (de que os policiais respondam processos disciplinares). E o trabalho deles será avaliado pelo delegado-chefe de Londrina. Qualquer problema ele pode pedir a remoção’’, afirmou.
Noronha também destacou que ontem mesmo todas as cinco novas viaturas destinadas à cidade já estariam à disposição da Polícia Civil. Anteontem, quando chegavam à cidade, já na área central, três das cinco viaturas se envolveram em acidente de trânsito. Como os veículos são alugados, explicou posteriormente Wanderci Corral Fernandes, da 10ª SDP, foi necessário apenas solicitar a substituição.

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