Subdelegado atribui denúncia a interesses políticos
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sexta-feira, 05 de julho de 2002
Cristiane OyaReportagem Local 
O subdelegado Regional do Trabalho em Londrina, Fernando Roque, atribuiu ontem as denúncias de irregularidades na fiscalização e de suposto esquema de propina na instituição a ''interesses políticos'' e a um ''jogo de poder''.
''Há interesses em jogo, políticos, pessoais, eu reputo isso como pura intriga. Há um jogo de poder por trás disso que eu não me envolvo, porque sou um técnico, não sou político, e é o ano eleitoral que leva as pessoas a tentar tirar vantagem ou não. Você pode ver que no rol de pessoas envolvidas há vários políticos'', disse Roque, deixando em aberto quais seriam os políticos envolvidos. O cargo de delegado e subdelegados regionais são ocupados através de indicação.
No início da semana, Roque prestou depoimento ao procurador da República, Mário Ferreira Leite, que instaurou em junho um procedimento para apurar a denúncia não formalizada de que haveria um suposto ''acordo'' entre a DRT de Londrina e empresas do setor de transporte. O Sindicato dos Trabalhadores na Indústria Moveleira de Arapongas também apresentou ao procurador pedidos de fiscalização não atendidos. Segundo o chefe de fiscalização, Elson Ribeiro, que já prestou depoimento ao procurador, de novembro a junho, a DRT realizou em Arapongas, cerca de 50 fiscalizações, o dobro realizado no mesmo período do ano passado.
De acordo com o procurador, o procedimento apura a ''omissão por parte da subdelegacia ou utilização indevida da estrutura do Ministério do Trabalho para se obter vantagens indevidas''. ''Queremos saber se há ou não. Havia alegação de que a fiscalização é ineficiente, que algumas empresas estariam sendo fiscalizadas em detrimento de outras, então queremos saber por quê. E qual a razão que movia, vantagem pessoal, questão de conveniência, método ou se existe uma coisa a mais do que isso, que seria obtenção de vantagem indevida'', disse Leite.
Roque afirmou não ter conhecimento de irregularidades em Londrina. ''Se eu tivesse percebido e não tomasse providências, estaria prevaricando. Então realmente desconheço qualquer irregularidade que esteja acontecendo ou que tenha acontecido durante a minha gestão ou na gestão anterior.'' O delegado da DRT, Celso Costa, deve ser ouvido no final deste mês. A estimativa é de que os trabalhos sejam encerrados até setembro.


