SUA SAÚDE
Fatores neurobiológicos afetam o desenvolvimento da criança?
Os avanços neurocientíficos das últimas décadas trouxeram uma notável evolução na interpretação do funcionamento cerebral e de como este se comporta nos mais variados níveis de comportamento e no contexto do aprendizado.
Essas evidências, associadas aos inúmeros trabalhos padronizados e de alto rigor científico, empurraram os profissionais de educação e saúde à um lugar-comum nos temas educacionais a ponto de ambos os grupos serem obrigados a analisarem crianças com dificuldades escolares sob um aspecto multidisciplinar.
Obviamente, fatores pedagógicos, contextuais, sociais e afetivos corroboram para o sucesso ou insucesso escolar, mas, os fatores neurobiológicos vem ganhando uma crescente dimensão no espaço de discussões sobre esse tema. Essas pesquisas vem mostrando que existem situações em que a criança necessita de avaliação e apoio interdisciplinar, metodologia pedagógica específica, adequação didática de acordo com suas dificuldades cognitivas e até medicação, dependendo do diagnóstico e das condições da escola.
Hoje é sabido o que é necessário para a criança se alfabetizar com maior eficácia e, teorias que foram abandonadas outrora, estão sendo novamente requisitadas.
A consciência fonológica, por exemplo, está sendo revista e colocada em patamar gold standard quando se aborda a alfabetização.
Os profissionais aplicam com mais propriedade as escalas de neurodesenvolvimento no intuito de identificar sinais de risco precoce, evitando assim problemas de leitura e escrita a longo prazo.
Equipes paramédicas, como psicólogos e fonoaudiólogos, estão sendo estimulados a promoverem intervenções precoces em crianças com problemas cognitivos. Essa estratégia está agindo como uma verdadeira inclusão e mostrando a todos a necessidade de se adiantar a futuros problemas.
Clay Brites - Neuropediatra (Arapongas)





