Há muito tempo já se sabe que obesidade traz muitos efeitos negativos para a saúde, incluindo aumento do risco de doenças cardíacas, diabetes tipo 2, hipertensão, dor crônica, alguns tipos de câncer.
Recentes pesquisas, utilizando métodos de imagem cerebrais mais precisos, têm demonstrado que, além destes problemas, o aumento de peso causa diminuição de neurônios em algumas regiões cerebrais - quanto maior o índice de massa corporal (IMC - índice para avaliar o grau de obesidade de uma pessoa, dividindo o peso (em kg) pela altura ao quadrado (em m) - menor o volume cerebral, ou seja, menor a quantidade de neurônios. Foi o que demonstrou o estudo conduzido pela Universidade da Califórnia em Los Angeles (UCLA) e publicado na revista Human Brain Mapping.
O pior tipo de gordura é aquela que se acumula na região abdominal (obesidade central), a famosa ''barriguinha''. Pessoas com obesidade central tem maior chance de declínio cognitivo quando comparado com os obesos com menor quantidade de gordura abdominal, de acordo com estudo publicado na Revista Neurology em 2008, que envolveu 6.583 pessoas.
Apesar dos estudos apontarem para uma perda de neurônio com o aumento da gordura corporal, não podemos dizer que o obeso é menos inteligente, pois a inteligência não depende somente do número de neurônios, mas também da qualidade destes neurônios e interconexões. Além disso, para ocorrer alterações neurônais a obesidade deve estar presente durante muitos anos.
A importância destes estudos está em compreender que para uma longevidade cerebral saudável é necessário, além de outros cuidados, cuidar de sua relação peso e gordura.

Rafael Higashi - neurologista (Londrina)

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