Sua Saúde
Sempre em contato com bactérias e outros agentes infecciosos, o intestino está exposto a várias doenças e algumas trariam problemas não fosse a própria função do órgão. É o caso da diverticulose, geralmente assintomática, mas que, ao evoluir para a diveticulite, pode ter graves consequências.
Diverticulose é a formação de várias bolsas na parede do intestino (divertículos), em direção ao exterior. O cólon sigmóide, parte final do intestino grosso, é onde ocorre a maioria dos casos. A causa é a deficiência de fibras na alimentação, que deixa as fezes sem a consistência adequada, aumentando a pressão dentro do tubo intestinal e facilitando a formação das bolsas.
Esse quadro é muito comum, cerca de um terço da população com mais de 50 anos de idade apresenta os divertículos. A prevalência sobe para 80% entre as pessoas com mais de 85 anos. Em geral, não há queixas, mas podem ocorrer dores na parte inferior esquerda do abdômen, prisão de ventre e leve diarréia.
Os divertículos funcionam como reservatórios, onde pequenas quantidades de fezes ficam estocadas, servindo de abrigo para bactérias. A diverticulite surge quando ocorre a inflamação do local. As dores aumentam e, junto com a constipação intestinal, vem a febre.
Caso a doença se instale no lado direito do intestino, é mais comum acontecer sangramento. Existe o risco de perfuração do órgão, que pode causar inflamação generalizada na barriga.
O tratamento clínico da diverticulose envolve uma dieta rica em fibras e remédios para umedecer e aumentar o volume das fezes, facilitando a evacuação. Se o procedimento clínico não funcionar e a inflamação avançar, o paciente é encaminhado para a intervenção cirúrgica, em que o trecho do intestino comprometido pelos divertículos é retirado.
Atualmente, a cirurgia pode ser feita por videolaparoscopia que tem como resultado recuperação mais rápida e cicatriz mínima no abdômen.
Carlos A. Sabbag cirurgião do aparelho digestivo (Curitiba)





