Uma das queixas mais comuns em consultórios neuropediátricos é a dor de cabeça ou cefaleia. Costuma, com razão, ser grande fonte de preocupação dos pais e responsáveis e os motiva a procurar ajuda profissional.
O temor recorrente dos pais é que seu filho esteja com tumor ou aneurisma cerebral como causa destas dores, mas somente 10 % destes casos podem ser tumor. A maioria é causada por ansiedade, insegurança, sono irregular, alimentação, estresse, instabilidade emocional causados por momentos tristes, como luto, separação conjugal, demanda escolar excessiva, excesso de compromissos extra-escolares e traumas do cotidiano.
Isto é tão real que a dores pioram sazonalmente em períodos de final de semestre. Estas crianças geralmente apresentam história familiar de migrânea (popularmente conhecida como enxaqueca) e esta causa pode levar a restrições importantes na vida do infante como náuseas, vômitos, tonturas, desmaios, levando a faltas frequentes na escola.
As dores de cabeça que podem sinalizar doença cerebral grave geralmente são contínuas, de forte intensidade, acompanhadas de vômitos e acordam a criança à noite. Se essas características estiverem presentes, e se já existiram casos de aneurisma ou tumor cerebral na família é preciso procurar um médico.
Por outro lado, a enxurrada de casos de cefaleia nos dias de hoje nos alerta para os hábitos de vida que nossos filhos estão levando, como o sedentarismo, má alimentação, sono insuficiente e excesso de atividades, os quais estão envolvidos como causa direta e indireta de suas dores.
Muitas vezes não enxergamos o nosso ritmo de vida que acaba influenciando o ritmo de vida dos nossos filhos, desaguando numa represa de frustrações cada vez maiores. Numa criança com avaliação médica que confirme esta última suspeita, a atitude dos pais se torna essencial para o alívio do seu sofrimento.
Clay Brites - neuropediatra (Arapongas)

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