É comum nos depararmos com crianças que apresentem dificuldades para falar adequadamente. Uma grande preocupação dos pais é a constatação de que seu filho não fala direito, ou que é difícil entender o que fala, e até agem como ''tradutores'', quando estes estão em fase de socialização em ambientes estranhos.
O atraso de fala na infância é um sinal importante de que algo no desenvolvimento neurológico ou psicológico não vai bem, e pode predizer que o futuro escolar será instável. 70% das crianças que demoram para falar ou falam errado e de forma inadequada até idades maiores apresentam posteriormente problemas de leitura e escrita.
Essas crianças ficam em situação de desvantagem em relação aos seus pares e costumam desenvolver transtornos de comportamento (agressividade, hiperatividade, dificuldade de socialização, etc.). Além disso, problemas na fala podem ser um indício de transtornos neuropsiquiátricos, como autismo, dislexia, TDAH, distúrbios específicos de linguagem, deficiência intelectual e até surdez ou, ser resultado de desestruturação familiar.
Uma criança de um ano de vida já deve falar pelo menos cinco palavras inteligíveis. Com dois anos, de 50 a 200 palavras e frases de duas palavras. Com três anos, 200 a 500 palavras e frases de três palavras, usando frequentemente indagações e perguntas. Aos quatro anos, a menina já deve ter uma linguagem semelhante ao adulto e, o menino, aos quatro anos e meio.
Após esta idade, a criança não deve mais apresentar trocas ou omissões de palavras no seu discurso. Qualquer indício de atraso na fala é motivo para procurar um profissional especializado para uma análise mais detalhada. A fim de se esquematizar uma remediação e reduzir riscos a médio e longo prazo.
O suporte fonoaudiológico costuma ser essencial e um capítulo importante na estruturação da linguagem de infantes nestas condições.
Clay Brites - neuropediatra (Arapongas)

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