Em primeiro lugar, é preciso esclarecer que existem diversas formas de gastrite. Esta palavra significa, basicamente, inflamação da mucosa gástrica, que pode ser aguda ou crônica. As agudas, em geral representadas por erosões (microúlceras ou aftas), costumam ser resultantes de medicamentos lesivos, como os corticóides e anti-inflamatórios, além de álcool e outras causas, inclusive estresse (cirúrgico, queimaduras, septicemias etc).

Já as crônicas deixam a mucosa com um aspecto levemente granuloso, e são - em sua maioria - causadas pela bactéria helicobacter pylori, e não têm - necessariamente - relação com sintomas como queimação ou azia, podendo se manifestar apenas como desconforto ou má digestão.

Desde longa data o leite é usado para mitigar os sintomas, principalmente a queimação, mas ele não ''trata'' a gastrite, simplesmente minimiza seus sintomas. Isto porque o leite é uma substância alcalina, que pode neutralizar o provável excesso de ácido produzido pelo estômago nestas situações ou minimizar o efeito do ácido sobre uma mucosa lesada pelos fatores acima citados.

Devemos lembrar que muitas pessoas tomam o leite gelado e a baixa temperatura também tem um leve efeito anestésico. É importante ressaltar que o leite em excesso, por conter cálcio, pode ser um estimulante da secreção ácida do estômago (um copo de leite integral têm cerca de 20% das necessidades diárias de cálcio que o nosso organismo necessita).

Por este motivo, como tudo na vida, moderação é a palavra. Combater sintomas não significa combater a causa do problema, que deve ser investigada.

Roberto Menoli - médico gastroenterologista (Londrina)

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