SUA SAÚDE
Existem uma idade certa para se ter derrame?
A cada ano, são registrados cerca de 300 mil casos de Acidente Vascular Cerebral (AVC), com 90 mil mortes no Brasil. É a maior causa de incapacidade e óbito no país. O surpreendente é que o derrame cerebral não é apenas uma doença de idosos. O número de casos entre jovens na faixa dos 30 a 45 anos vem aumentando no mundo todo, com dados recentes mostrando 10 a 12 casos para cada 100 mil habitantes.
Os principais fatores que aumentam a propensão de jovens a sofrer um derrame são cardiopatias congênitas, obesidade, sedentarismo e fumo. Eles são responsáveis por índices cada vez maiores de diabetes e hipertensão, que são doenças que crescem em nível epidemiológico e, não raro, culminam em AVC.
Entre mulheres até 30 anos a situação pode ser mais grave. Jovens, fumantes, que usam pílula anticoncepcional e sofrem de enxaqueca estão em um grupo de alto risco. Especialmente as que sofrem da chamada enxaqueca com aura, que apresenta, além da dor, alguns sintomas neurológicos antes da crise, como a visualização de pontos luminosos, figuras geométricas e até mesmo perda de força e sensibilidade.
A genética é também fator determinante na tendência ao derrame cerebral. Porém, hábitos de vida saudáveis, como boa alimentação e prática constante de exercícios físicos e a abolição do tabagismo e controle do uso do álcool, além do adequado controle dos níveis da pressão arterial têm peso muito maior do que a herança, e podem reduzir consideravelmente o risco.
Os fatores acima têm relevância tão alta no aumento do índice de AVC entre jovens que, atualmente já é considerada uma doença previsível.
A boa notícia é que, ao mesmo tempo, é totalmente passível de prevenção, por meio de práticas de vida saudáveis.
Mauricio Friedrich, médico neurologista - Rio Grande do Sul





