SUA SAÚDE
Quais fatores contribuem para o grande número de bebês infectados por HIV e como proceder com o tratamento?
Preconceito e falta de informação são alguns dos fatores que contribuem para o grande número de infeccções. A chamada transmissão vertical, que acontece de mãe para filho, é uma das principais preocupações dos especialistas em relação à infecção pelo vírus HIV. De acordo com dados do Ministério da Saúde, cerca de 8% das gestantes soropositivas transmitem a doença para o bebê. A taxa é muito alta, já que em países de primeiro mundo esse índice é quase nulo.
O tratamento correto com o uso da combinação de três medicamentos (como por exemplo, zidovudina, lamivudina e nelfinavir, entre outras) faz com que os riscos do contágio para o recém-nascido sejam reduzidos para menos de 3%. Ou seja, o grande vilão da transmissão vertical é a falta de acompanhamento e terapia adequada. Por isso, é essencial que o diagnóstico seja precoce e que a paciente siga corretamente a terapia, que deve ser iniciada durante a gestação.
Os medicamentos devem ser oferecidos a todas as gestantes portadoras do vírus, mesmo que elas não tenham nenhum sintoma, pois diminui a quantidade de vírus HIV no sangue da mãe, reduzindo a chance de transmissão ao bebê.
Um dos fatores que tem maior contribuição para o crescimento desse número assustador é a falta de acompanhamento pré-natal. O teste anti-HIV, que deve ser solicitado pelo médico no início da gestação, com o consentimento da gestante, muitas vezes não é realizado.
As futuras mamães muitas vezes não sabem que a Aids deixou de ser uma doença de grupos de risco e pode afetar qualquer pessoa, independente de seu estado civil. Mulheres casadas e solteiras correm riscos, já que muitas podem ser contaminadas pelo marido ou namorado fixo em relacionamentos onde a vida sexual do parceiro diversas vezes é desconhecida. Como a doença pode ficar anos sem manifestação, as pessoas acham que nunca foram infectadas. Basta o exame para esclarecer.
Eduardo Franco, infectologista
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