Minha filha tem 11 anos, é portadora da Síndrome de Down e não fala e o médico constatou que ela tem esquizofrenia. Queria saber mais sobre a doença.



A esquizofrenia é um transtorno grave, de causa desconhecida, com sintomas psicóticos que prejudicam o funcionamento social. Os transtornos esquizofrênicos são descritos por distúrbios característicos do pensamento, percepção e afeto. Consciência clara e a capacidade intelectual em geral são mantidas, embora um déficit cognitivo ocorra com a evolução do quadro.

A doença atinge principalmente a população jovem. É mais precoce nos meninos (na faixa dos 10 aos 25 anos), enquanto a idade de início nas mulheres varia de 25 a 35 anos. Os fatores podem ser genéticos, biológicos, psicossociais ou ambientais.

A aparência de um esquizofrênico é em geral desleixada. O comportamento pode tornar-se agitado ou violento, frequentemente em resposta a atividade alucinatória. Os sintomas afetivos mais comuns são dificuldade de responder aos estímulos externos e insensibilidade ao afeto, além de instabilidade afetiva.

A pessoa com esquizofrenia tem alucinações, pode sentir-se ameaçada por vozes. Alucinações visuais, táteis, olfativas e gustativas também podem ocorrer.

O diagnóstico envolve o reconhecimento de um conjunto de sinais e sintomas associados ao prejuízo social ou ocupacional. Não existe até o momento nenhum exame complementar que possa identificar o transtorno da esquizofrenia.

O tratamento baseia-se no uso de antipsicóticos associado a estratégias psicossociais. Mas não deve se limitar à farmacoterapia, sendo fundamental o recurso a estratégias multidisciplinares que tratem do paciente em seu meio, dando suporte em questões como trabalho, lazer e convívio familiar. A internação deve ser vista como medida extrema, de curta duração, a que se recorre para proteção, e não exclusão, do paciente, quando outros meios tiverem falhado.

Jairo Ferreira Júnior, médico pós-graduado em Psiquiatria

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