SUA SAÚDE
Por que sinto dores e choques em um membro que já foi amputado?
As sensações de dores ou formigamentos percebidas como originadas de um membro amputado já são conhecidas desde o século 16, e o termo 'membro fantasma' foi cunhado para caracterizá-las. É consenso que praticamente todos os pacientes amputados referem sensações no membro perdido, que não chegam a causar transtornos significativos. Mas numa minoria uma dor severa e persistente se instala e gera sofrimento. Ela costuma se iniciar logo após a amputação e geralmente não é constante, ocorrendo com intervalos de horas a semanas.
Ainda não conhecemos na sua totalidade os processos responsáveis pela dor do membro fantasma. Este tipo de dor é complexa e na sua gênese interagem fatores originados do coto da amputação, da medula espinhal e do cérebro.
É sabido que a dor do membro fantasma é muito mais frequente nos pacientes que também queixavam-se de dor no coto de amputação. Esta dor do coto é relacionada com a formação de neuromas, aqui entendidos como um espessamento da porção final do nervo, decorrentes de uma tentativa desorganizada de regeneração.
Os neuromas são sede de impulsos nervosos anormais, e isso pode gerar a sensação de dor, de modo espontâneo ou quando estimulados pelo toque ou pressão. Além disso, as próprias células condutoras dos impulsos dolorosos da medula espinhal tornam-se mais excitáveis, o que facilita a transmissão destes impulsos ao córtex cerebral. O córtex por sua vez pode sofrer um processo de reorganização, o que o torna mais apto a receber e amplificar estes estímulos. O melhor conhecimento destes mecanismos, sem dúvida, resultará em tratamentos mais eficazes.
O tratamento da dor do membro fantasma pode ser difícil em alguns pacientes. Há três grandes vertentes: o tratamento medicamentoso, o não medicamentoso (acupuntura, fisioterapia e hipnose) e o cirúrgico. Destes, o tratamento medicamentoso é o mais utilizado. As drogas mais eficazes pertencem ao grupo dos antidepressivos e anticonvulsivantes.
Luís Sidônio Teixeira da Silva, neurologista
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