Sua Saúde
O país deve se preparar para um grande boom da hepatite C a partir de 2011. Todas as pessoas que receberam sangue antes de 1992 têm grandes riscos de estarem infectadas sem saber. Antes disso, o sangue destinado às transfusões não era analisado para detecção do vírus da hepatite C, pois não se conhecia completamente esta forma de hepatite. Hoje em dia, sabemos que a doença pode não se manifestar por até 20 anos. Por esse motivo, cerca de 90% dos contaminados desconhecem suas condições e descobrem que estão infectados em um estágio avançado.
Como age silenciosamente, a doença raramente provoca sintomas. Sem dar sinais, evolui para quadros graves, como cirrose ou câncer, sem que o paciente perceba os riscos. Isso faz da hepatite C um dos mais sérios problemas de saúde pública, sendo a principal causa de transplante de fígado no país.
A estimativa da Organização Mundial da Saúde é de que no mundo 170 milhões de pessoas sejam portadores da doença. De acordo com o Ministério da Saúde, cerca de 2 milhões de brasileiros podem estar infectados pelo vírus HCV. Outro dado preocupante do ministério é que a hepatite C apresenta a taxa de mortalidade com maior crescimento no país, tendo aumentado 30,6%, em média, em 2006.
Sabe-se que o vírus é transmitido pelo contato com sangue humano contaminado e, atualmente, as formas mais comuns de transmissão incluem o uso de drogas com agulhas e seringas compartilhadas e acidentes com material contaminado. Utensílios de salões de beleza, consultórios dentários e estúdios de tatuagens e piercings podem oferecer risco de contágio se o material usado não for descartável ou esterilizado de forma adequada. Neste tipo de hepatite, o risco da contaminação por relação sexual é muito baixo, diferente do que ocorre com a hepatite B.
Ao contrário do que alguns pensam, viver na mesma casa, apertar a mão, abraçar ou beijar uma pessoa com o vírus não traz riscos de contaminação. Nada impede que o portador da hepatite C tenha uma vida normal. A doença tem grandes chances de cura. Cerca de 20% dos infectados eliminam o vírus espontaneamente. Dos 80% restantes, cerca de dois terços, quando tratados corretamente, são curados. Diagnóstico precoce e tratamento adequado são fatores primordiais para que o paciente recupere a saúde.
Rafael Sani Simões, especialista em doenças infecciosas e parasitárias (SP)





