SUA SAÚDE
Uma crise de asma pode levar à morte?
Segundo as IV Diretrizes Brasileiras para o Manejo da Asma, a asma é uma doença inflamatória crônica, caracterizada por hiper-responsividade das vias aéreas inferiores. Ocorre limitação do fluxo aéreo, manifesta-se por episódios de chiado no peito, falta de ar, aperto no peito e tosse. A asma é resultado de uma interação entre fatores genéticos e exposição ambiental a vários fatores que podem desencadear e manter sintomas, como alérgenos, irritantes etc.
Embora muito comum, a asma pode se manifestar de diferentes formas. Às vezes, como tosse seca, persistente, principalmente noturna e matinal. Outras vezes com falta de ar aos esforços. Alguns indivíduos sentem aperto no peito, outros têm crises apenas desencadeadas por quadros gripais. As crises alérgicas geralmente ocorrem quando há exposição de indivíduos sensíveis, por exemplo, à poeira doméstica, animais, ou irritantes, como fumaça de cigarro, cheiros fortes como o de tinta, além de fatores climáticos, como mudanças bruscas de temperatura.
Além das diferentes formas de apresentação e fatores desencadeantes, a asma varia muito também quanto à gravidade. Na maioria das vezes, o quadro é leve e intermitente, porém, há casos muito graves.
A morte por asma ocorre, mas felizmente não é tão comum. No Brasil, em 2000, a taxa de mortalidade por asma foi de dois para cada 100 mil habitantes, com predominância no adulto jovem e em ambiente hospitalar. Porém, há casos de morte no domicílio ou a caminho do hospital.
A causa quase sempre é asfixia, ou seja, há uma resposta exagerada dos brônquios, com uma constrição dos mesmos, excesso de produção de secreção, diminuindo drasticamente a capacidade respiratória. Raramente a causa da morte é o excesso de medicação. Ao contrário, muitas vezes a gravidade da asma não é adequadamente percebida pelo paciente, e, às vezes, pelo médico, ocorrendo uma falta de tratamento adequado, seja preventivo, seja das crises. Sendo uma doença crônica, o tratamento da asma busca o controle e, muitas vezes, o uso de medicamentos por longo prazo, às vezes, a vida inteira. A boa notícia é que na grande maioria dos casos a doença pode ser totalmente controlada, melhorando a qualidade de vida, o sono, o trabalho, a presença das crianças na escola, nas atividades físicas, e evitando a mortalidade.
Heloísa S. Delfino, médica especialista em alergia





