Tonturas freqüentes e perda de equilíbrio podem ser sintomas de stress?

  A sensação de que o ambiente está girando, a falta de equilíbrio e até mesmo quedas e náuseas fazem parte de uma freqüente queixa clínica. Falo da tontura, costumeiramente encarada como um sintoma passageiro e não recebendo, assim, a devida importância.
  De forma isolada ou freqüente, a tontura deve ser investigada por um médico para descartar problemas graves. Em geral associada a distúrbios no labirinto, como a labirintopatia (labirintite), pode também surgir de outros motivos. Entre os mais graves estão a insuficiência cardíaca, problemas circulatórios (aterosclerose), a hipertensão arterial e a queda da pressão. Nestes casos, tonturas seguidas de desmaios, ou quedas sem perda de consciência, são situações que exigem tratamento médico imediato.
  Determinados tipos de medicamentos trazem na bula que vertigens e náuseas são possíveis efeitos colaterais. Se a tontura vier após o início de algum tratamento, o médico deverá ser informado para reavaliar a dose ou o medicamento.
  Anemia; altas temperaturas, com queda da pressão arterial; alterações hormonais no início da gravidez; falta ou excesso de açúcar no sangue em diabéticos; aumento do triglicérides; aumento do açúcar no sangue; alterações cerebrais, quer por consumo excessivo de bebida alcoólica, quer por uso de cigarro por não fumantes; ou ainda situações emocionais fortes também podem desencadear tontura. Deve-se lembrar da possibilidade do uso de drogas ilícitas.
  Doenças preexistentes como diabetes melito, hipertensão ou reumatismo, infecções por vírus ou bactérias, estresse e distintos problemas psicológicos são outras hipóteses que merecem investigação. Também merece atenção a síndrome do pânico, muito frqüente, cujo diagnóstico nem sempre é fácil.
  Seja qual for a causa, por menos grave que aparente, pode ser igualmente perigosa conforme a situação. Uma tontura e eventual desmaio, ainda que decorrentes de estresse passageiro, podem ter efeito devastador se acontecerem enquanto o paciente estiver dirigindo. Por este motivo, todas as situações merecem cuidado e o paciente deve ser atendido por um clínico para uma avaliação completa.

Antônio Carlos Lopes, professor titular de Clínica
Médica do Departamento de Medicina da Unifesp

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