Sofri um trauma aos 12 anos e perdi grande parte da visão.
Aos 27 anos, houve descolamento de retina. Depois, perdi totalmente a visão do olho lesionado e em seguida tive hemorragia ocular e houve descolamento da retina novamente. Existe algum tipo de material sintético que substitua a função da retina?

  A retina é a camada mais interna do olho. É um tecido nervoso que contém células que recebem a luz, interpretam as informações e enviam mensagens ao cérebro através do nervo óptico. Mas quando a retina é lesada ou não funciona adequadamente, estas células, os foto-receptores, param de funcionar, causando a cegueira. Os esforços para se desenvolver próteses visuais não são recentes. As pesquisas estão concentradas em três localizações de implantes visuais: retina, nervo óptico e córtex cerebral. Os implantes de retina e do nervo óptico têm o potencial de restabelecer a visão em pacientes com doenças degenerativas progressivas da retina por meio da estimulação elétrica do sistema visual. Estes implantes, um chip com vários eletrodos, recebem seus sinais de um transmissor que monitora a informação visual por meio de uma câmera nos óculos do paciente. Porém, a prótese retiniana, assim como a estimulação do nervo óptico, exigem que o paciente tenha o sistema visual intacto, desde o nervo óptico até o cérebro.
  As próteses corticais podem beneficiar um número maior de pacientes cegos devida à sua localização mais posterior no sistema visual, ou seja, não somente os pacientes com doenças retinianas se beneficiariam, mas também aqueles que sofreram traumas no olho ou no nervo óptico. Esta técnica envolve o implante de eletrodos no córtex cerebral visual que recebem um sinal semelhante ao de vídeo por um cabo de uma câmera montada nos óculos do paciente. Aqueles que ficaram cegos devido a essas doenças degenerativas ou mesmo a outras patologias que levam a alterações da via visual têm pouca esperança de recuperação visual, mas os novos avanços tecnológicos podem mudar isso em breve. A pesquisa que busca a criação de uma prótese visual eficaz dá início a pequenos testes pilotos em humanos. Ao mesmo tempo, continua-se os testes em animais, na tentativa de melhorar a tecnologia utilizada. Ainda se está numa fase experimental, mas já há relatos na literatura médica de implantes retinianos em humanos com resultados animadores.

Cristiane Assami Chui, oftalmologista em Londrina

mockup