SUA SAÚDE
A neurocisticercose pode causar demência ou distúrbios do comportamento? Qual a forma de contágio?
A neurocisticercose nada mais é do que a infestação do sistema nervoso central pelas larvas do parasita denominado ''Taenia Solium'' , que mantém o seu ciclo de vida infectando os seres humanos e os porcos. Quando adulto, o verme normalmente encontra-se alojado no intestino humano. Esta infestação denomina-se teníase. Seus ovos, em cujo interior encontram-se os embriões, são eliminados pelas fezes.
Quando os porcos ingerem estes ovos, os embriões são eliminados no estômago e podem transpor a parede do trato digestivo, alojando-se posteriormente em qualquer órgão do animal. Quando o homem come a carne do porco crua ou mal cozida contamina-se com estes embriões. No intestino do homem eles chegam à vida adulta, fechando assim o ciclo. Quando o homem assume o papel do porco, isto é, ingere fezes humanas, estes embriões, de modo análogo ao que fazem no porco, podem atingir o encéfalo humano.
Calcula-se que 50 milhões de indivíduos estejam infectados pela teníase ou cisticercose no mundo e que 50 mil morram a cada ano. Cerca de 350 mil pessoas encontram-se infectadas na América Latina.
As manifestações clínicas mais frequentes são crises epilépticas (62%), síndrome de hipertensão intracraniana (38%) e meningite cisticercótica (35%). Os distúrbio psíquicos ocorrem em 11% dos casos, embora este dado possa estar subestimado.
A neurocisticercose pode sim ocasionar demência ou alterações do comportamento, como depressão, ansiedade ou mesmo psicose. Os mecanismos causais seriam os imunológicos, isto é, a defesa contra o ataque do verme danificaria as células do sistema nervoso; as próprias toxinas do parasita.
O efeito de massa produzido por um cisticerco de grande dimensão ou a obstrução da drenagem do líquor cefaloraquiano, o que ocasiona a chamada hidrocefalia. Todas estas alterações são potencialmente reversíveis, desde que um tratamento adequado seja instituído.
Luís Sidônio Teixeira da Silva, neurologista





