SUA SAÚDE
Um homem na faixa dos 40 anos, com pressão alta, que joga futebol de
vez em quando, corre algum tipo de risco?
Para respondermos esta pergunta temos que levar em consideração alguns aspectos. Primeiramente, focarmos não somente no fator de risco isolado que é a hipertensão arterial. Nos dias atuais, a medicina é preventiva e não mais somente curativa como décadas atrás. Quando falamos em prevenção não podemos tratar uma pessoa olhando somente um fator de risco e sim globalmente. No caso deste homem, temos que saber se ele não fuma, se possui colesterol e glicemia (açúcar no sangue) em níveis desejáveis, se seu índice de massa corpórea está abaixo de 25 (peso dividido pela altura ao quadrado) e se sua circunferência abdominal está abaixo de 94 centímetros.
Temos também que avaliar sua história familiar para doença cardiovascular (infarto e derrame) e termos a certeza de que as metas esperadas para o tratamento de sua hipertensão arterial, em média abaixo ou igual a 130/85 mm/Hg são atingidas. Outro aspecto a ser checado nesta pergunta é o que consideramos ''de vez em quando''. Atividade física de rotina para melhora do risco cardiovascular deve ser realizada ao menos três a cinco vezes por semana em tempo mínimo de 30 minutos.
Atividade esta que deva produzir algum cansaço, suor e dificuldade de manter uma conversação normal no momento da atividade. Pode ser realizada em qualquer momento do dia e também dividida, por exemplo: 10 minutos três vezes dia ou 15 minutos duas vezes ao dia. Neste homem, se joga futebol somente aos finais de semana e não foi avaliado globalmente, seu risco cardiovascular pode aumentar em vez de melhorar.
O futebol é um esporte competitivo que exige um esforço que muitas vezes esta pessoa pode não estar preparada no aspecto cardiovascular. Pode haver um aumento súbito da pressão arterial e da frequência cardíaca, podendo levar a lesões em artérias do coração e da cabeça. Portanto, é fundamental que esta pessoa, e qualquer outra que queira realizar atividades físicas, procure o profissional médico competente, para que o mesmo possa realizar uma avaliação global de seus fatores de risco e tomar as condutas necessárias para que esta atividade traga os benefícios necessários em sua vida e não malefícios. Temos que lembrar também que o sendentarismo físico é um dos piores fatores para o risco cardiovascular.
Manoel Fernandes Canesin, cardiologista





