Durante o Tiro de Guerra, recebi o diagnóstico de que tenho sopro no coração. Passei por consultas, o médico pediu uma ultra-sonografia, mas não pude fazer o exame. Hoje, aos 28 anos, sinto dores no peito. Posso ter problemas devido ao meu histórico?




O sopro cardíaco pode não ser sinal de doença cardíaca. Temos no coração quatro válvulas cardíacas, que funcionam para direcionar o sangue do lado direito (sangue venoso) aos pulmões, para oxigenação, depois do lado esquerdo do coração, para o restante do corpo. O sangue já oxigenado servirá para transportar os nutrientes e o oxigênio às células.

Existe também o septo, que é uma divisão entre o lado direito e esquerdo do coração. Quando essas estruturas estão normais nós não escutamos o som do sangue trafegando no coração. Em algumas situações de defeitos dessas estruturas há turbilhonamento do sangue e aí surge o sopro cardíaco.

Ressalte-se que nem todo sopro significa doença. Há uma parcela de pessoas, que por serem mais magras ou pela velocidade um pouco aumentada da circulação do sangue, apresentam o sopro fisiológico ou inocente (normal).

Neste caso, como já houve a indicação de um exame (ecocardiograma) para identificar as estruturas mencionadas, é possível que haja realmente alguma alteração. A dor no peito pode ser manifestação de defeito na válvula aórtica ou no septo que divide o coração, além de outras doenças.

A resposta é: sim, você pode ter algum problema devido a seu histórico, portanto, há necessidade de nova avaliação médica. Fique tranquilo, pois há 10 anos foi detectado o sopro, podendo não haver relação entre este e a dor relatada. Neste caso, poderia se tratar de sopro inocente e não haveria com o que se preocupar.

Ricardo José Rodrigues, cardiologista

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