Tenho convulsões e há oito anos tomo o medicamento tegretol. Quando estou medicado, me sinto bem, mas não posso ficar sem o remédio, pois as convulsões voltam. Terei de passar a vida toda utilizando este medicamento? Tenho 39 anos.


O Tegretol, cuja substância ativa é a carbamazepina, é utilizado para o controle de convulsões, tratamento da dor produzida pela lesão dos nervos e para o manejo de distúrbios psiquiátricos.

A carbamazepina é um ótimo medicamento anticonvulsivante, como já percebemos pela pergunta do leitor. Mas, para melhor respondê-la necessitaríamos de algumas informações adicionais. A mais importante delas seria a fornecida pela tomografia/ressonância magnética do crânio.

Simplificadamente, as convulsões podem ser divididas em dois tipos: as de causa conhecida e as sem causa definida. E quais são as causas mais comuns? Isso pode variar conforme a idade em que as crises começam; podemos encontrar desde cicatrizes no cérebro, produzidas por traumatismos, derrames, meningites ou até nos depararmos com tumores, vasos sanguíneos malformados ou infecções, como a neurocisticercose. A tomografia ou a ressonância de crânio são os exames mais utilizados para que o neurologista descubra a causa de uma convulsão.

Feitas essas considerações, podemos agora responder mais diretamente a pergunta. Se a carbamazepina controla as convulsões, ela deve ser mantida, pelo menos por um período de dois anos, contados a partir da data da última crise.

Se as convulsões sempre retornam quando o medicamento é interrompido, provavelmente a medicação será permanente, isto é, por toda a vida. Só haverá um outro tratamento se as crises tiverem uma causa, neste caso, esta também será o foco do tratamento. Talvez, se a causa for debelada, a medicação possa ser gradativamente retirada.

Luís Sidônio Teixeira da Silva, neurologista

[email protected]

mockup