SUA SAÚDE
Meu filho de um ano e meio passou por consulta médica e foi diagnosticado que
ele tem broncoespasmo. Isso é um sintoma de bronquite ou alergia?
Poucas situações geram tanta angústia como as que envolvem a dúvida de uma criança ter ou não bronquite ou asma. Se por um lado temos o vocabulário médico, por outro temos como os problemas são conhecidos. Alguns nomes como a asma carregam uma conotação tão sombria, que mesmo quando o diagnóstico é claramente dado pelo médico o mesmo não é aceito pela família, que continua chamando o problema de bronquite.
Muitas pessoas apresentam sensibilidade exagerada dos brônquios (ramificações menores do aparelho respiratório). Situações comuns como resfriados, gripes, exercícios físicos, mudanças de temperatura, contato com alérgenos (poeira doméstica) podem levar a um estreitamento dos brônquios chamado de broncoespasmo. Aparecem então os sintomas de tosse, chiado no peito e falta de ar.
O termo médico usado para diagnosticar crises recorrentes de tosse, chiado e falta de ar é asma. A asma não é sempre grave, a maioria dos casos são leves ou moderados. Uma criança que tem uma crise por ano tem asma leve e intermitente. No outro extremo, temos crianças com sintomas contínuos e severos, ou seja, com asma grave persistente.
No caso da pergunta, trata-se de uma fase da vida em que o diagnóstico de asma é realmente difícil. Cerca de metade das crianças com crises recorrentes de broncoespasmo nos primeiros anos de vida não desenvolverá asma. Esses bebês apresentam crises não desencadeadas por alergia e sim por infecções respiratórias como gripes e resfriados durante alguns anos e então as crises cessam. Outras vezes essas crises são as primeiras manifestações da asma. Logo, é comum que antes que seja possível qualquer diagnóstico, termos gerais como broncoespasmo ou bebê chiador sejam usados.
É muito importante lembrar que tanto no caso do bebê chiador quanto da asma estamos lidando com situações que tendem à recorrência. Deve-se procurar um parecer médico que inclua condutas preventivas e orientações claras sobre o que fazer no caso das crises voltarem.
Heloisa Delfino, médica especialista em alergias





