Nenhum cientista provou até hoje que exista relação entre a hiperatividade das crianças e o consumo excessivo de açúcar. Mas há uma sólida evidência científica de que o nosso corpo é programado desde o nascimento para uma resposta positiva aos doces. Se um pouco de açúcar é colocado na ponta da língua de um recém-nascido, o bebê vai demonstrar que está gostando e tentará engoli-lo.
Afirma-se também que a ingestão de açúcar dispara a liberação temporária de endorfinas, substâncias que causam sensação de bem-estar. Algum tempo depois, o nível de endorfinas no organismo cai abaixo do normal e a pessoa voltaria a querer comer um doce, pois pensa que assim se sente melhor.
Muitos mitos são falados sobre o açúcar - desde o açúcar causar diabetes, enquanto outros indicam levar à obesidade, ou hiperatividade em crianças. Com o passar dos anos, muitas pesquisas foram feitas para tentar estabelecer a conexão entre o açúcar e a hiperatividade em crianças. Todos os estudos chegaram à mesma conclusão: açúcar não afeta o comportamento infantil, negativamente.
Pode ser o excitamento de uma parte especial, a sensação de ''doces ou travessuras'' no ar ou o ambiente da criança que causam comportamentos hiperativos.
No entanto pediatras da Escola de Medicina da Universidade de Yale observaram que o doce, além de provocar maior concentração de insulina no sangue, também aumenta a quantidade de adrenalina e esse hormônio, em excesso, pode provocar ansiedade, excitação e dificuldade de concentração.
Segundo os pesquisadores, os efeitos negativos da ingestão de doces, balas e refrigerantes são maiores e mais evidentes quando a criança come açúcar com o estômago vazio. Quando consumido com outros nutrientes, especialmente proteínas, o açúcar é metabolizado com mais facilidade pelo organismo e os riscos de alterações de comportamento são reduzidos.
Os açúcares fazem falta na alimentação, mas fazem parte da dieta habitual e são encontrados, por exemplo, no leite, nas frutas e em todos os alimentos ricos em carboidratos.
Em outras palavras: ninguém pode viver sem açúcar, que é uma fonte de energia, mas a dieta normal tem açúcares naturais em abundância, o suficiente para cobrir nossas necessidades.

Beatriz Ulate, nutricionista

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