Seria possível discorrer sobre a diferença entre envelhecimento normal e demências, entre elas o Alzheimer?

Uma das queixas mais frequentes entre os idosos é a de dificuldade de memória. Diferenciar idosos normais dos casos de demência - que pode ter diversas causas, como doença de Alzheimer ou ser consequente de ''derrames'' de repetição - pode ser difícil nas fases iniciais, pois na doença de Alzheimer os sintomas podem ser sutis e confundidos com casos de envelhecimento normal.
O envelhecimento normal pode vir acompanhado de déficits visuais, auditivos, além de ocorrer redução na velocidade do processamento mental, podendo resultar em dificuldades de memorização. Todavia, após algum tempo de reflexão, se lhe é fornecida alguma ''pista'', o idoso normal consegue relembrar o fato e não há interferência no seu cotidiano. Pode haver também dificuldades na atenção (pode parecer que está tendo dificuldade de memória) causadas por diversos tipos de remédios ou até mesmo por depressão, o que é muito frequente, sem, no entanto, significar que está com demência.
Nos casos de demência, de modo geral, há um déficit de memória intensa, o suficiente para afetar suas atividades habituais, associado a acometimentos em mais outros campos como dificuldade na linguagem, reconhecimento de pessoas ou objetos, dificuldade para solucionar problemas, geralmente de forma progressiva, dependendo da causa.
O cérebro desses pacientes mostra um grau de atrofia mais acentuado se comparado com idosos normais, principalmente nas regiões do hipocampo e partes mediais dos lobos temporais (nos casos de doença de Alzheimer).
A dificuldade na memória deve ser avaliada pelo médico, que com história e exame físico, além de exames complementares (sangue e tomografia de crânio), pode determinar a causa. A avaliação neuropsicológica pode ser necessária para diferenciar os casos suspeitos de demência em fase inicial dos idosos normais.
O envelhecimento é uma etapa de nossas vidas. É importante ter uma alimentação saudável, praticar atividades físicas, evitar o fumo e abuso de bebidas alcoólicas e exercitar a mente com atividades como leitura. Isso pode ajudar a evitar, ou ao menos retardar, o início e a progressão de uma série de doenças, entre elas a de Alzheimer.

Flávio Henrique Bobroff da Rocha, neurologista

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