Há um ano os testículos do meu filho de 5 anos sumiram. O médico indicou cirurgia, dizendo que o problema poderia piorar. Gostaria de saber que tipo de doença é essa e o que pode ser feito. A cirurgia é mesmo a única saída? A criança corre perigo?
A ausência de testículos na bolsa escrotal é chamada de criptorquidia. Esta é a anomalia congênita mais comum da genitália masculina. Contudo, a ausência de testículos palpáveis na bolsa escrotal não significa, necessariamente, criptorquidia.
O que mais se verifica no exame físico de crianças com ausência de gônadas são os chamados testículos retráteis, ou seja, aqueles que se deslocam da virilha para a bolsa escrotal e vice-versa.
Essa retração normalmente ocorre como reflexos ao frio ou à apreensão. Existem algumas situações em que a retração é mais intensa, elevando o testículo para fora da bolsa escrotal e virilha, tornando difícil a avaliação e necessitando de avaliações complementares, com exames e opinião de especialistas, tais como um cirurgião pediátrico.
Existem também situações em os testículos estão realmente fora do seu local (criptorquídicos), porém, por meio de manobras de retração, podem ser trazidos até a bolsa escrotal.
Os testículos retráteis são variantes do normal. Já os testículos criptorquídicos estão associados a graus variáveis de infertilidade e de desenvolvimento de tumores.
O tratamento depende do diagnóstico. Nos casos de testículos retráteis não há indicação cirúrgica. Já os testículos criptorquídicos são tratados por meio de cirurgia ou com o uso de hormônios, dependendo da opinião do profissional envolvido.
E uma vez indicado o tratamento, o mesmo deverá ser realizado antes do final do segundo ano de vida, visando a preservação do órgão e a diminuição das consequências.

Arnildo Linck Júnior, pediatra

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