Minha esposa tem exaqueca desde que nasceu nossa filha. São dores tão fortes que ela tem vontade de se machucar em outro lugar para esquecer aquela dor de cabeça. Existe algum medicamento ou tratamento que possa ser feito?

  Existe sim um tratamento adequado. Mas, e isto é o mais importante, precisamos de um diagnóstico antes de efetuarmos um tratamento.
  Como os diagnósticos são feitos em medicina? Sempre baseados em três elementos seqüenciais: a história dos sintomas dos pacientes, o exame físico e os exames subsidiários. Podemos, com freqüência, prescindir do terceiro item, mas nunca dos dois primeiros.
  Portanto, informações como há quanto tempo esta dor de cabeça existe, qual é a sua duração, qual é o local da cabeça que dói, qual o horário em que ela ocorre, se a dor está associada a algum fator desencadeante (tensão emocional, alimentos, privação de sono), se há algum outro sintoma associado (como náuseas e vômitos, aversão à luz, alterações da visão), são fundamentais.
  No exame físico, buscamos encontrar sinais de lesão no cérebro, lembrando que sinal em medicina é tudo aquilo que o paciente não menciona e só o médico pode detectar. Apenas tocando o paciente ou examinando o seu fundo de olho podemos ter fortes suspeitas que estamos diante de uma doença mais séria, o que vai tornar imprescindível, no caso de uma dor de cabeça, uma tomografia ou ressonância magnética de crânio. Felizmente, estes casos graves não são os mais comuns.
  Há algumas centenas de tipos de cefaléia, que é a denominação médica para dor de cabeça. Destas, duas são as principais: a cefaléia do tipo tensional e a enxaqueca ou migrânea. A cefaléia do tipo tensional afeta entre 30% a 78% das pessoas em algum momento das suas vidas. É caracterizada por dor bilateral, que pode predominar na região nucal, sem outros sintomas associados. Esta é a dor de cabeça mais comum e é a dor que podemos sentir após um dia desgastante. A enxaqueca pode afetar de 5% a 10% da população e é a dor que se associa com náuseas e/ou vômitos, aversão à luz, odores e ruídos. Costuma ser latejante e predominar numa metade da cabeça.
  Como deveríamos proceder então? O primeiro passo seria procurar um médico ou diretamente um neurologista ou mesmo um clínico geral no posto de saúde mais próximo. O próprio clínico sempre efetua estes passos que comentamos acima e, caso haja necessidade, ele encaminhará o paciente para o neurologista com a recomendação de agilidade máxima na marcação da consulta.

Luís Sidônio Teixeira da Silva, neurologista

mockup