Foi constatada no meu neto de 8 anos uma disritmia cerebral. Até que ponto esse problema pode afetar o desenvolvimento dele?
E.P., 46 anos, dona-de-casa

  O termo disritmia cerebral é muito genérico e deve ser analisado por que o exame foi solicitado pelo médico. Somente com esse dado não é possível avaliar se há risco para o desenvolvimento de seu neto.
  A disritmia cerebral é um transtorno no ritmo das ondas elétricas cerebrais detectado no exame de eletroencefalograma (EEG). Ela é freqüentemente associada a estados epilépticos ou crises convulsivas recorrentes. A disritmia e a crise convulsiva não constituem uma doença, mas sintoma de um distúrbio no sistema nervoso que requer investigação minuciosa.
  O eletroencefalograma é um exame importante e útil e deve ser associado aos dados clínicos do paciente para melhor definição do diagnóstico. Porém, deve-se considerar que cerca de 3% das crianças apresentam atividade irritativa (disritmia) ao EEG mesmo sem nunca terem apresentado crise convulsiva ou qualquer outro sintoma, como também um exame normal não afasta a possibilidade de atividade epiléptica.
  A crise convulsiva é um distúrbio neurológico comum na faixa etária infantil, acontecendo em 3% a 5% de todas as crianças. Ela pode ocorrer por febre (crise convulsiva febril), traumas, desidratação, intoxicações, doenças de metabolismo, doenças genéticas, entre outras causas.
  Entretanto, na maioria dos casos, a causa da crise convulsiva não é determinada (crise convulsiva idiopática). A evolução de grande parte dos casos é boa, com controle das crises com medicação, não afetando o desenvolvimento e aprendizado da criança. Nesses casos, a tendência é que as crises desapareçam na adolescência. Todavia, em alguns casos, as crises persistem por toda vida.

Gina Bressan Schiavon, pediatra

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