Sua Saúde
É verdade que as mulheres têm menor tendência em desenvolver problemas cardíacos? Realmente está aumentando o número de mulheres com problemas cardíacos?
Sim, as mulheres têm proteção natural contra os problemas cardiológicos: os hormônios femininos. Está comprovado cientificamente que principalmente o estrógeno faz com que as mulheres tenham menor tendência em desenvolver enrijecimento das artérias e aterosclerose, que levam ao infarto, angina e outras doenças do coração antes da menopausa.
No caso da segunda pergunta, a resposta, infelizmente, também é positiva. De acordo com um estudo da Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC), na cidade de São Paulo em 1970, enquanto dez homens morriam por doença arterial coronária, apenas uma mulher era vítima desse mal. Em 2002, a proporção já era de 2,45 casos masculinos para cada feminino. O grande aumento de mulheres com problemas cardiológicos está diretamente relacionado ao aumento de presença feminina no mercado de trabalho.
Atualmente é raro o lar em que a mulher não trabalhe, com responsabilidades e dupla carga de trabalho, pois não deixou de ser mãe e administrar os problemas domésticos. Isso gera grande stress. Além disso, ela incorporou hábitos masculinos, como o tabagismo, por exemplo.
Os fatores de risco para doenças cardíacas são variados: hipertensão, tabagismo, obesidade, sedentarismo, diabetes, histórico familiar e stress. Porém, este último fator é o que mais tem causado problemas para as mulheres. Ao invés da famosa aterosclerose placas de gordura que entopem as artérias o que está causando infarto são espasmos (contrações) das artérias.
Estudos em andamento mostram que a mulher moderna está mais suscetível a ter eventos isquêmicos causados por espasmos do que pela aterosclerose. Já atendi casos de mulheres que sofreram espasmo coronariano severo, o que é suficiente para causar o infarto. Depois as artérias voltaram ao normal. Isso certamente é causado pelo stress.
Evitar o stress é o melhor a ser feito pelas mulheres. De preferência com algum exercício físico que seja prazeroso. O exercício físico é fundamental, um mecanismo de queima de adrenalina, todos devemos reservar um momento para isso.
Antônio Nechar Júnior, cardiologista do Hospital do Coração de Londrina





