ÚLCERAS

As cirurgias de retirada de úlceras ficaram obsoletas? Quais outros tratamentos e formas de prevenção?

As cirurgias não ficaram obsoletas, mas foram se tornando cada vez menos necessárias, pois desde o início o objetivo básico delas era retirar a lesão (úlcera) e a parte do estômago responsável pela produção de ácido, principal causa da doença.

Hoje, esse objetivo é alcançado através de medicamentos potentes que inibem a produção de ácido e, consequentemente, determinam a cicatrização de uma lesão que antigamente precisava ser extirpada.

Mais recentemente, a descoberta de uma bactéria que sobrevive e se multiplica no meio ácido, causando a maioria das úlceras, trouxe importante avanço no tratamento, pois a eliminação da bactéria reduz a possibilidade de reaparecimento do problema e, por conseguinte, a necessidade de cirurgias.

Mas elas continuam sendo necessárias, em algumas situações: 1) nas hemorragias, quando uma úlcera atinge um vaso cujo sangramento não consegue ser estancado com medicamentos ou tratamentos endoscópicos; 2) nas estenoses, que são estreitamentos causados pela cicatrização imperfeita das úlceras, causando dificuldade à passagem dos alimentos pelo tubo digestivo; 3) nas perfurações, quando uma úlcera atravessa a parede do órgão comprometido e o conteúdo alimentos e secreções é derramado para o interior da cavidade abdominal, ocasionando inflamação e infecção graves; 4) quando os medicamentos não conseguem cicatrizar a lesão e o paciente acaba optando pela cirurgia.

Devemos lembrar que quando se trata de uma úlcera maligna, caracterizando o câncer gástrico, o tratamento deve ser sempre cirúrgico, quando possível.

Roberto Menoli, gastroenterologista

Perguntas para a coluna Sua Saúde podem ser feitas pelo (43) 3374-2122, das 12h às 16h, e pelo [email protected]

mockup