Sua Saúde
Hemorróidas
Gostaria de receber informações sobre hemorróidas. Quais são os cuidados e os tratamentos necessários?
Em primeiro lugar, é preciso diferenciar hemorróidas de Doença Hemorroidária. Todos nós temos hemorróidas, porque esse é o nome dado à rede de veias e artérias do canal anal. Temos no canal anal uma linha que separa a pele da mucosa, como nos lábios; só que no caso do ânus, a linha fica mais para dentro, escondida.
Se houver dilatação dos vasos hemorroidários abaixo desta linha chamada linha pectínea temos a Doença Hemorroidária Externa; se os vasos dilatarem-se acima desta linha, internamente, temos a Doença Hemorroidária Interna. Pode-se afirmar, então, que a doença é do tipo varicosa (relativa a varizes).
Existem vários graus de Doença Hemorroidária Interna: se a dilatação for mínima, muitas vezes imperceptível se não sangrar, temos a DH grau I; se os vasos (ou mamilos), quando dilatados, se exteriorizam e retraem sozinhos, temos a DH grau II; se extertiorizam e só retraem com ajuda manual, DH grau III; e se não voltarem, mesmo com ajuda manual, grau IV.
A doença pode se manifestar através de sangramento (que tanto pode ser observado apenas quando a pessoa usa papel higiênico, ou ser intenso, manchando o vaso sanitário); aparecimento dos mamilos (que podem desaparecer espontaneamente ou não); e dor (principalmente quando há trombose, significando que o sangue coagulou no interior do vaso).
A Doença Hemorroidária que não incomoda o paciente em geral não necessita tratamento além de medidas higiênico-dietéticas.
Nos casos em que haja necessidade de tratamento, incluem-se alguns métodos: medicamentos que melhorem a circulação local, ligaduras elásticas dos vasos hemorroidários, injeção de substâncias que provoquem a fibrose dos vasos, crioterapia (utilização de nitrogênio líquido, que congela os mamilos) ou fotocoagulação (por raios infra-vermelhos).
Mas a mais utilizada ainda é a técnica cirúrgica, tanto pela sua segurança, quanto pelos resultados mais favoráveis, e consiste na retirada dos mamilos dilatados.
Devemos lembrar que, ao longo do tempo, mesmo as melhores técnicas não garantem que a doença não vá voltar, pois, afinal de contas, ela é resultante da rica circulação do local, que não pode ser retirada.
Muitas vezes a doença hemorroidária é confundida com outras doenças que também provocam sangramento: a fissura anal (rachadura provocada pelo esforço evacuatório) e o prolapso da mucosa (exteriorização da própria mucosa anorretal para fora do canal, por causa do enfraquecimento das estruturas internas que a sustentam). Também podem sangrar doenças inflamatórias do intestino e tumores.
Muitas vezes se deixa de fazer diagnóstico de doenças graves porque o paciente fica constrangido pelo exame ou acredita que ''são só hemorróidas'', e este é um grande erro.
Para se evitar a doença são importantes medidas como: alimentação rica em fibras, como frutas, verduras, legumes, cereais, além de água, para que as fezes fiquem mais macias e haja facilidade ao evacuar; atividade física, inclusive exercícios abdominais, reforçando os músculos que auxiliam nas evacuações; não ''segurar'' quando tiver vontade de evacuar, pois isto só dificultará a próxima evacuação, já que as fezes estarão mais sólidas; procurar estabelecer um ritmo evacuatório, ''educando'' o intestino; evitar o uso do papel higiênico (é mais seguro lavar-se, pois por mais macio que seja o papel, sempre poderá provocar micro-rachaduras, que poderão provocar aparecimento de lesões que sangrem).
Reforçando: não acredite que só há sangramento na Doença Hemorroidária, principalmente após os 45 anos, pois ele pode auxiliar na identificação de doenças mais graves, como o câncer do colo-retal.
Roberto Menoli, proctologista
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