Nos primeiros dias de vida, é difícil avaliar a visão da criança, já que a reação do recém-nascido à luz é intensa. Podemos avaliar a existência de defeitos congênitos, tais como o tamanho dos globos oculares, pois pode haver sinal de aumento da pressão quando os olhos são maiores que o normal. É possível avaliar também a reação da pupila diante da incidência de luz, verificando se haverá ou não condições para perturbação visual. Note-se que os fatores emocionais dos pais e parentes podem contribuir para exagerar as conclusões negativas.
Nos primeiros meses, o médico poderá verificar os meios transparentes intra-oculares com o uso do oftalmoscópio, inclusive para verificar se existe a catarata congênita, que é a opacidade do cristalino. Para realizar este exame em crianças com poucos meses, é necessária a aplicação de anestesia. É importante observar também se existe algum desvio do globo ocular, como o estrabismo.
Com alguns meses, podemos verificar a sensibilidade visual, movimentando algum objeto luminoso que chame a atenção e verificar se a criança move os olhos à procura do objeto. Dos 6 aos 8 meses, pode-se fazer o teste com algum objeto, como chupeta ou brinquedo, e verificar se a criança segue com a mão para pegá-lo.
Não havendo nenhum sinal de doença, a verdadeira descoberta da capacidade de visão da criança deve se dar a partir dos 2 ou 3 anos, idade em que adquire a capacidade de responder.
Os pais podem fazer testes rápidos em crianças de 2 anos. Em caso de dúvida, é aconselhável encaminhar a criança ao oftalmologista.

Fahed Daher, oftalmologista

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