SUA SAÚDE - NEUROLOGIA
Embora haja menção de tais sintomas já no século XVII, o termo ''Síndrome das Pernas Inquietas'' foi utilizado inicialmente na década de 40 pelo neurologista sueco Ekbom para descrever uma situação clínica em que há distúrbios da sensibilidade e da movimentação dos membros, principalmente no período de repouso.
Os pacientes relatam desconforto nos membros inferiores, de predomínio noturno (sono). Tais queixas acabam por interferir no padrão de sono, podendo levar a instabilidade física e emocional. A causa ainda não está estabelecida, apesar de haver inferências genéticas que levam a alterações de neurotransmissores no sistema nervoso central. Costuma afetar mais mulheres que homens, principalmente adultos e acredita-se que 2% a 15% da população sofram de tal problema.
O diagnóstico é essencialmente clínico e deve haver: 1) Uma compulsão para mover as pernas, em face aos sintomas sensitivos que trazem excessivo incômodo (desconforto, formigamento, dormência, coceira). 2) Há necessidade de caminhar ou esfregar uma perna na outra, há uma inquietude. 3) Os sintomas pioram (ou estão presente apenas) durante o sono e há alívio com a movimentação, e 4) Piora ao anoitecer ou ao dormir (em casos mais graves podem ocorrer durante todo o dia).
O exame clínico costumeiramente é normal. Stress, fadiga, alterações psíquicas podem exacerbar os sintomas. Embora não se saiba exatamente sua causa outras situações (como deficiência de ferro, distúrbios metabólicos e outros) devem ser avaliadas, além de se obter um estudo da arquitetura do sono. Tratamento medicamentoso pode não ser necessário nos casos leves, e quando sua introdução é indicada, costuma-se obter melhora importante dos sintomas com consequente restabelecimento de qualidade de vida.
Lucio Baena de Melo, neurologista





