Azia é o termo comumente usado para designar o sintoma principal da doença do refluxo gastroesofágico, podendo vir acompanhada de regurgitação, tosse, irritação na garganta e outros sintomas.
É pressentida pelas pessoas que têm o problema e resulta da irritação e/ou inflamação advinda do retorno das secreções do estômago ou duodeno para o esôfago, cujo revestimento não é preparado para receber um líquido com teor corrosivo.
Ao longo do dia, todos nós temos o chamado refluxo fisiológico, que é um breve fluxo destas secreções para o esôfago, por causa de relaxamentos momentâneos da válvula que separa o esôfago do estômago; mas temos, também, mecanismos de defesa, que ''limpam'' o esôfago. Quando tal mecanismo falha e os relaxamentos tornam-se frequentes, ocorre a doença do refluxo; a qual pode, em cerca de 50% dos casos, estar associada à presença de uma hérnia neste local, geralmente decorrente do deslizamento do estômago para cima de uma abertura no músculo diafragma, o chamado hiato: daí, hérnia hiatal.
Como, na maioria das vezes, o refluxo é composto de secreção ácida, os antiácidos são utilizados para neutralizá-la. Este é o tratamento básico, que pode se prolongar por meses ou anos, com uso de hidróxido de alumÍnio, Omeprazol, Pantoprazol e outros medicamentos habitualmente utilizados. Porém, há casos em que a cirurgia é o último recurso, na tentativa de aumentar a pressão da válvula para evitar o refluxo.
Quando utilizamos o tratamento medicamentoso, agimos sobre a consequência do problema; quando a cirurgia é realizada, age-se sobre a causa. Mas devemos lembrar que há prós e contras tanto para a primeira quanto para a segunda alternativa, e a decisão e a oportunidade devem ser consideradas conjuntamente entre o médico e o paciente.
Roberto Menoli - gastroenterologista e endoscopista

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